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sexta-feira, abril 02, 2004

O Trabalho e o Homem
"O que quereríamos é que a nossa gente pescasse, agricultasse, laborasse e, enfim, trabalhasse e produzisse, cônscios de que a inacção ou menor actividade, e com ela a pouca ou escassa produção, é tudo quanto há de mais negativo e estiolante do homem externo-interior -- seus vigor e personalidade -- . (...) O grande, o maior crime pelo qual poderia ser acusada e tida por maldita a presente governação seria o de ter parado ou diminuído trabalho e trabalhador portugueses, e, a troco de enganosas e fatalmente passageiras compensações que a política não pode garantir e antes ocamente assegura, tê-los retido ou posto inda mais na cauda das actividade e produção europeias. Além das fabulosas perdas materiais, o definitivo amolecimento, o geral quebranto, a lepra psíquica que daí adviria (pelo não termos os contentamentos e viris satisfações do que se alcança por esforço, fadiga, méritos próprios, e antes estarmos aí para ser pagos por não mexer e vilmente permanecer na condição de zangãos da colmeia europeia), o mal social, o mal nacional e humano, os desgosto, tristeza e irritação comuns, tudo seria incomensurável. E insuportável. (É que não lobrigamos, apesar de tudo, que o grande número português dê pachorrenta aceitação a isto de andar de pano no braço ou na mão a servir à mesa ou a limpar as botas do turista estrangeiro, a um tempo que, relegado para as últimas posições nesta terra que é sua, se lhe deixaria toda a tarefa humilde, secundária e necessariamente inferiorizante, qual se estivera sujeito a um invasor...)
A inactividade, a paralisia, os maninhos e pousios sem termo, o chão, enfim, não cultivado, as nossas costas e áreas marítimas de nós não sulcadas e exploradas, a redução do trabalho e da produção fabris são a moeda com que a governação portuguesa paga o que da Europa nos chega em subvenções para acudir às permanentes penúrias e urgências duma economia terciária e de serviços (...) que ao homem nem dimensiona e dinamiza, nem devidamente dignifica e liberta
."
Carlos Eduardo de Soveral

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