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sexta-feira, setembro 30, 2005

Agenda 

No próximo dia 7 de Outubro o PNR vai realizar um jantar convívio em Lisboa, para encerramento da Campanha Eleitoral.
A confirmação das presenças terá de ser feita até dia 5 de Outubro, sem falta,para geral@juvenac.org

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Regressos e reincidências 

Voltou às lides o Pena e Espada, com uns comentários sobre a manifestação contra o lóbi gay vista já á distância.
Voltou o Engenheiro a proclamar que o rei vai nu. Espero que de agora em diante seja um blogador regular, e não nos deixe com essa pose de blogador bissexto, ou esdrúxulo (nem sei como lhe chame) - reclamo constância na blogação!
E reincidiu o JSM nas provocações, alvitrando um candidato presidencial surpresa.
Chissa!!!

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Colheita seleccionada 

Se já leram tudo o que consta das listas anteriores, é a vez de passarem a este estudo sobre o gnosticismo , a este artigo sobre Ernst Jünger, e a este sobre os 95 anos de república.
Ler é um acto de militância...

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quinta-feira, setembro 29, 2005

Jornal do dia 

Leituras recomendadas:

- Antunes Varela
- Onde é que estavas no 28 de Setembro?
- O barco dos parvos
- Credibilidade(zinhas), ou Ele há mistérios...
- Na morte do Prof Doutor Antunes Varela
- Instituições portuguesas (III): o morceguismo
- Ainda as imunidades eleitorais
- Liberdade de Expressão? Mentira!
- Salvo pelo gongo!

(É mesmo para ler tudo...)

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quarta-feira, setembro 28, 2005

Agenda 

No próximo Sábado, dia 1 de Outubro, pelas 16 horas, na Junta de Freguesia de Benfica, em Lisboa, realiza-se uma conferência de imprensa para a apresentação pública da Juventude Nacionalista, ramo juvenil do Partido Nacional Renovador.
Serão oradores José Pinto-Coelho, presidente do PNR, e Filipe Batista e
Silva, Coordenador Nacional da JN, que apresentarão aos presentes e à
comunicação social este novo projecto nacionalista.
No mesmo dia 1 de Outubro irá realizar-se um encontro de nacionalistas em Viseu, com encontro junto à Estátua de Viriato às 12h 30 m., seguido de almoço e um passeio pela zona histórica da cidade.
No dia 8 de Outubro, pelas 11 horas, terá lugar uma reunião de nacionalistas da área de Coimbra, nesta cidade.
No dia 15 de Outubro, também um Sábado, realizar-se um convívio nacionalista em Santarém, destinado especialmente aos simpatizantes dessa região.

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Actualizações 

Novos contributos para a animação de uma blogosfera nacional, tão variada quanto possível nos seus temas e nas suas abordagens:

Para ti, que também és mulher...
Praias da Caparica em contagem decrescente
Crianças queimadas com produtos químicos na ESTACO, em Coimbra
Revuelta - Division 250
Semi-dimitude ianque
Cada vez nascem menos crianças em Portugal

Confirma-se portanto que alguns estão vivos, e continuam a contribuir com a sua afirmação pessoal para a causa nacional. Mas são poucos (acho eu...)
De muitos outros, só temos o silêncio dos cemitérios.

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terça-feira, setembro 27, 2005

Mais para ler 

Uma breve recolha:

A lógica autárquica
Duplo suicídio de adolescentes
O homem que passou
Algumas referências interessantes sobre a homossexualidade
A Vendeia mexicana
A radicalidade contra a moderação

O melhor que hoje se publica em Portugal surge na blogosfera!
E julgam que poderia aparecer noutro sítio? Passaria alguma vez os filtros instalados?
Ingénuos!!

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A opinião pública e a opinião que se publica 

Sob o sugestivo título "Eles comem tudo e não deixam nada" publica-se no "Batalha Final" um importante artigo sobre os aparelhos de condicionamento ideológico nas sociedades ocidentais contemporâneas.
Especialmente oportuno neste momento em que os observadores mais perspicazes visionam claramente o imperativo de construir uma rede de informação alternativa - a qual só pode ser instalada na internet - que possibilite contrabalançar eficazmente os meios tradicionais de comunicação de massas, todos eles solidamente controlados.
Sem essa rede de amplificação, de divulgação e difusão, as ideias dissidentes continuarão a não ter expressão, as opiniões de fora do sistema continuarão a ser caladas, os homens, os livros, os discos, os filmes, as organizações, as iniciativas que se afastem dos modelos definidos pelos controleiros dos meios nunca passarão, e ficarão permanentemente à margem da vida social comum.
A tarefa de quem queira vencer é ultrapassar essa situação marginal e invadir o centro...
Por isso não se compreende a paralisia, a falta de imaginação, a ausência de criatividade, inovação, opinião, que se sente na generalidade dos sítios e blogues da área nacional. Que parecem desistir de avançar na criação de um universo diversificado e plural, na permanente atenção à realidade, no comentário interventivo e certeiro ao que acontece à sua volta, na superação diária do estatuto de marginalidade que impõe o silenciamento das nossas correntes de pensamento e opiniões. Parar e calar-se é aceitar esse silenciamento. A monotonia temática será sinal de indigência mental. Não exprimir ideias é, para o público, como não as ter.
Sejam irreverentes, dinâmicos, activos, contestatários, inteligentes, cultos, militantes, insubmissos, incansáveis, conquistadores!

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segunda-feira, setembro 26, 2005

Por Lisboa 

É hoje a apresentação da candidatura “Lisboa, Cidade Portuguesa” do Partido Nacional Renovador, à Câmara Municipal de Lisboa.
O acto de apresentação do programa aos lisboetas e à imprensa decorre frente ao Padrão dos Descobrimentos, pelas 17 horas.
Estarão presentes na ocasião, a representar a lista, o cabeça de lista e Presidente do PNR, Dr. José Pinto-Coelho e o número dois da lista e Secretário-Geral do PNR, Prof. Humberto Nuno de Oliveira.

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Talentos em rede 

Quem procura qualidade, ideias, boas escritas e boas cabeças, pode servir-se que há leituras que cobrem os interesses mais diversificados. Como se pode ver, a crise não é igual em todo o lado. Na blogosfera como na vida, há os que têm e há os que não têm.

a) sobre "saúde reprodutiva" e aborto
b) sobre a literatura de António Patrício, a partir de "D. Juan e a Máscara"
c) sobre impérios, champanhe e ilusões
d) sobre o desemprego e o "impasse alemão"
e) sobre o aniversário do Clube de Futebol "Os Belenenses"
f) sobre poder local e política autárquica
g) sobre a Europa, países crus, países cozidos e países negros

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sábado, setembro 24, 2005

E já agora... 

Nos concelhos de Cascais, Loures, Mafra (onde até existem listas do PNR a concorrer às Câmaras), não haverá blogue ou site que traga as realidades locais para a rede, numa perspectiva nacionalista, e possa divulgar as ideias e actividades nacionalistas nessas zonas?
Rede é rede...

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sexta-feira, setembro 23, 2005

A outra margem 

Tanto que há para dizer sobre a Margem Sul!
Desde as pessoas às coisas, das belezas aos problemas, da política ao ambiente, do urbanismo à segurança, tanto para comentar...
Congratulo-me com o aparecimento de um blogue de orientação nacional dedicado a essa área-chave do nosso país: o Margem Sul. Afinal há gente disposta a romper com o comodismo apático, ou com os desabafos e suspiros apenas para consumo interno entre camaradas, e lançar-se ao trabalho numa iniciativa exigente e ambiciosa, que implica uma enorme disponibilidade e sacrifício pessoais: criar um órgão de comunicação para as gentes da sua zona, com o necessário enquadramento doutrinário. Nacionalista, pois, e localista, também.
Boa sorte para o projecto!

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quinta-feira, setembro 22, 2005

Actividades 

No próximo dia 26 de Setembro, às 18 horas, terá lugar em Lisboa a apresentação à imprensa do programa da candidatura apresentada pelo PNR à respectiva Câmara Municipal, com o lema "Lisboa Cidade Portuguesa".
No próximo dia 1 de Outubro, pelas 14 horas, na Junta de Freguesia de Benfica (Lisboa), realiza-se uma conferência de imprensa para apresentação da Juventude Nacionalista, com a presença de dirigentes da JN e do Presidente do PNR, para a qual se convidam todos os militantes, simpatizantes e amigos.
No dia 8 de Outubro, pelas 11 horas, está marcada uma reunião de nacionalistas do distrito de Coimbra, para a qual se convocam todos os interessados.
Mais informações nos lugares habituais.

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Actividades 

No próximo dia 1 de Outubro irá realizar-se um encontro nacionalista na cidade de Viseu, que inclui um almoço e um passeio pela zona histórica da cidade.
No dia 15 de Outubro irá realizar-se um convívio nacionalista organizado na cidade de Santarém, de igual modo com almoço e passeio pela zona histórica da cidade.
Entradas disponíveis nos sítios do costume.
Entretanto, e prosseguindo o esforço para enraizamento e implantação localista, assinalo com gosto o aparecimento de novos blogues centrados nos Olivais e em Odivelas.
Que eles se afirmem com continuidade, e consigam representar e exprimir duradouramente os sentimentos e os problemas das suas gentes e das suas terras, são os votos que exprimo sempre e que repito agora aos recém-chegados. Sejam bem aparecidos!

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quarta-feira, setembro 21, 2005

Fascismo em rede 

Ainda um aditamento (este suscitado especialmente pelo comentador Corneliu Zelea).
O "Fascismo em rede" nasceu e foi sempre feito tendo entre os seus objectivos principais trazer para o meio "nacional" um estilo e uma memória.
Um estilo e uma memória.
Essas marcas só terão sentido quando forem percepcionadas pelos destinatários, sem explicador nem mestre.
Por isso tem sido sempre prática do lugar permanecer indiferente ao ping-pong verbal e ao polemismo estéril.
Como se pode ver pela análise dos conteúdos, a memória vai-se estimulando como se pode, de forma a re-ligar os tempos e as gentes; o estilo tem que propor-se por si à sensibilidade e ao entendimento do leitor.
É esta a explicação para tantas vezes deixar sem resposta muitas interpelações directas; em primeiro lugar tenho muito pouco tempo (trabalho muito); em segundo lugar, se me parece que as perguntas já têm resposta, e que esta está perfeitamente ao alcance de quem pergunta, prefiro manter o silêncio - será muito mais vantajoso ao indagante aprofundar e encontrar por si. Por vezes basta ler melhor, ou mais devagarinho, ou com mais atenção, ou ler outra vez.
Num diálogo, tem que permanecer algum trabalho de descodificação da mensagem, a cargo do destinatário, que não é mero receptor passivo e inerte.
Lembro-me a propósito de uma discussão travada há muito tempo num bar da Faculdade. Trocavam-se pontos de vista, tomadas de posição, pensamentos, sobre isto e aquilo (de fundo político, já se vê). A certa altura, entre irónico e saturado das minhas desmarcações (entenda-se, da linha de tiro onde ele que me queria colocar e que mais jeito lhe fazia), o meu interlocutor concluiu: "pois, estou a ver, vocês são por uma espécie de fascismo de rosto humano..."
Ri-me com gosto, e ainda hoje me estou a rir da saída. Mas não me perdi em tentativas de explicações vãs. Deixá-lo lá com a sua perplexidade.
Se tivesse que chegar lá, seria a sua curiosidade a conduzi-lo.
E para aqui continuo, a espalhar as sementes de um "fascismo de rosto humano".

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Falemos claro 

Nos últimos tempos escrevi dois pequenos textos em que alertava para duas questões capitais no movimento nacionalista nestes dias: um sobre as eleições autárquicas, que estão a duas semanas, e sobre a relevância do teste sobretudo em Lisboa e Porto; e outro sobre os sintomas de um certo esgotamento, temático e de fundo, que me pareceu detectar no dito "movimento nacionalista", na blogosfera e fora dela (sendo certo que um movimento incipiente ou cresce ou morre, ou se inventa todos os dias e cria novos espaços de afirmação ou desaparece de cena).
Tenho a impressão que por vezes a recusa instintiva em auto-analisar-se, a hostilidade reflexa ao pensamento crítico, resultam do comodismo e do medo. Comodismo, porque é mais confortável dar por assente que o que está é bom e o que se faz é óptimo (temos vitórias todos os dias). Medo, porque parar um bocadinho para ver melhor pode ser perturbador.
O que é certo é que pensar só se pode fazer com cérebro, e seria suposto que todos tivessem um. Vamos dar-lhe uso, senhores!

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Fascismo em rede 

Escrevi eu que o "Fascismo em rede" é um blogue pouco lido, pouco apreciado, e pouco compreendido.
É sim senhor. Mantenho as três conclusões (é um ano e sete meses de estudo diário, caramba!).
Desde logo o nome, que tem feito engulhos a muito boa gente. "Fascismo em rede" foi escolhido, pode dizer-se, um pouco por ironia e marketing. Ironia, e provocação, porque o fascismo é o único interdito que subsiste na actual sociedade liberal e permissiva; marketing porque o termo parecia poder excitar a curiosidade fácil de que é feita esta aldeia global (outros põem mulheres nuas).
Todavia, e ao contrário do que foi e é por vezes entendido, nunca esteve nas perspectivas erguer qualquer padrão de ortodoxia fascista, ou estabelecer parâmetros de purismo doutrinário.
Bem ao inverso, sempre esteve presente um conceito de "fascismo" que é pelo menos tão abrangente, largo e generoso como o usado frequentemente pelo Dr. Louçã.
Na altura já existia um site italiano chamado "fascismo in rete", que esse sim usa as palavras num sentido mais próprio e determinado: tenta assinalar a presença do "fascismo", político, doutrinário e histórico, na net (rete).
E havia também um importante artigo de Alain de Benoist sobre o que ele chama "a época das redes".
E a este se prende o lado mais sério da denominação "fascismo em rede": ao incluir a referência "em rede" estava a avançar com o essencial de uma proposta, um método, uma estratégia para o nosso tempo. Em rede, na net e fora dela, aludia a uma visão sobre o que devia e podia ser a acção política da militância "nacional" nas sociedades de hoje.
Dito isto, respondo directamente ao Rebatet que as minhas citadas conclusões não resultam de nenhuma crise existencial (aliás esta expressão parece-me muito sartreana, e Sartre não cabe nos arraiais fascistas, nem mesmo recorrendo à acepção mais vasta popularizada pelo Dr. Louçã).
Trata-se de observações factuais, alicerçadas num conhecimento concreto.
O "Fascismo em rede" é pouco lido (números são números), pouco apreciado (tenho múltiplas fontes...) e pouco compreendido (eu é que sei).
Sobretudo nas ironias; mas aí os poucos que me lêem e entendem não estranham nada, porque já sabem muito bem a má sorte de que goza a ironia entre as hostes da "direita zangada".

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terça-feira, setembro 20, 2005

Fascismo em rede 

O "Fascismo em rede" é um blogue pouco lido e muito pouco apreciado.
Uns sentem-se antifascistas, e não gostam do nome; outros acham-se fascistas e não gostam do conteúdo; outros não percebem nada, mas não gostam.
Por um lado tenho pena, porque isto representa um trabalhão imenso e a enormidade destes arquivos podia dar grande proveito a muita gente. Por outro, acho piada a esta desventura. Deve ser sinal de elevada qualidade ser compreendido por poucos.
Esperemos o que o tempo há-de dizer.
Por enquanto, o que é certo é que este é um blogue desgraçado: não há meio de cair nas graças das multidões.

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FEBO MONIZ O HERÓI VENCIDO 

(Em homenagem ao camarada do Interregno, ofereço um velho e fascinante artigo sobre Febo Moniz)

É lei geral de psicologia afirmar-se que ninguém escapa à influência do meio ambiente. E tão geral e tão notória se tornou esta regra, que a própria filosofia das nações a consagra em mais de um provérbio: acompanha um coxo, e aprenderás a coxear; quem com mal trata, sempre se lhe apega; cada cuba cheira ao vinho que tem...
Mas não há regra sem excepção. De tempos a tempos aparecem, na vida dos povos — quase sempre nas suas horas mais críticas —, homens extraordinários e com uma personalidade vincada, que se alteiam acima dos seus contemporâneos, e que sabem resistir, nobremente, a todos os factores de corrupção, a todas as pressões morais ou materiais que sobre eles se exercem com terrível insistência e feroz brutalidade.
Algumas vezes, não conseguem vencer a animadversão, os preconceitos, as cobardias, as incompreensões gerais, porque é dificílimo lutar contra a maré e arrostar, sozinho, a peito descoberto, contra os interesses suspeitos ou feridos, e contra as miseráveis paixões humanas.
Quando assim acontece, os heróis são vitimas. Ninguém atenta neles. Pode uma ou outra pessoa estacar, respeitosa, perante o seu patriotismo inconcusso, ou perante a sua abnegação superior; mas a maioria sorri e chasqueia, se por acaso não range os dentes com ódio e com... medo!
O homem corajoso e destemido que se atravessa no caminho de um povo, e que pretende chamá-lo à razão ou salvá-lo da ruína, no momento preciso em que esse povo se afunda no egoísmo e na pior das corrupções, é olhado como um perigoso desmancha-prazeres e como um inimigo — talvez como o Inimigo n.° 1 da sociedade! A voz do bom-senso, da razão, da verdade e da justiça não encontrarão eco à sua volta, porque nessas circunstâncias dolorosas há seres humanos, com todas as suas fraquezas e vícios, mas não há almas nem consciências, susceptíveis de vibrarem perante os idealismos superiores.
E porque assim acontece, o Herói será raivosamente combatido; será vítima da própria temeridade! Aqueles que, porventura, ainda o aplaudem no seu fôro íntimo guardam, em público, o silêncio, suicida e comodista, filho da indiferença, do egoísmo e da irresponsabilidade. O infeliz será, irremediavelmente, sacrificado, e nem um único braço se levantará para o defender, nem uma única voz, máscula e justiceira, se erguerá para apoiar a sua causa! Quando as sociedades se afastam da vida sóbria e virtuosa, resvalando para o mar-alto dos vícios e dos prazeres torpes, nunca acreditam que a perdição se aproxima. Todos os avisos e sinais de alarme são inúteis, porque ninguém se quer privar das misérias e porcarias que aviltam a sociedade e corrompem as almas. Os homens austeros e de carácter, que dizem as verdades, que flagelam os erros, e que apontam o caminho dos sacrifícios, em vez de louvarem, hipocritamente, as miseráveis paixões humanas, são olhados como puritanos, como pessimistas ou como maníacos! Às vezes, ainda se nota uma insignificante paragem na corrida para o abismo, mas quase imperceptível e de pouca demora, porque logo todos encolhem os ombros, e murmuram entre os dentes, com feroz cinismo: "Deixai-o falar... Tristezas não pagam dívidas... Vamos gozar enquanto é tempo!"
E o Homem justo e genial que pretendeu salvar o Povo, expondo-se ao sacrifício, é triturado e esmagado, sem dó nem piedade, por esse mesmo Povo que ele, abnegadamente, pretendia salvar!
***
Tal foi o caso de 1580. No melo do aviltamento geral, apareceu Febo Moniz a defender, nas Côrtes de Almeirim e fora das Côrtes, a vacilante causa da Pátria. Mas um Homem não pode, só por si, transformar, de repente, a mentalidade de um Povo; não é fácil salvar uma nação contra a sua própria vontade! Não havendo colaboradores leais, que obedeçam, sem pavores nem traições, às directrizes do chefe, e que, ao mesmo tempo, preparem o ambiente dentro do qual se desenvolverá a posterior acção do animador que os impulsiona, nada é possível fazer.
Ora Febo Moniz não encontrou Homens corajosos e desinteressados, como ele, que quisessem expor a vida pela Pátria. Camões, o grande Patriota, agonizava completamente abandonado (1). Todos, mais ou menos, se encolhiam e tergiversavam! O inimigo externo adulava as paixões dos portugueses, envilecidos pelo luxo e pela devassidão, oferecendo benesses e dinheiro. Que contrapunha o destemido Herói a essa campanha de suborno? Pouca coisa, para as multidões. O grande Patriota não discursava; não fazia promessas mentirosas: dizia verdades. E as verdades não podiam nunca agradar, de tal forma eram dolorosas e cruéis.
Pela sua boca, falava o velho Portugal, dos tempos saudosos e já remotos em que os homens eram de antes quebrar que torcer, dos tempos em que havia portugueses em Portugal!
O povo ainda se agitava, num patriótico movimento instintivo de legítima defesa, numa incontida ânsia de independência. Mas de que valiam forças desunidas e fraccionadas? Os despeitos, as invejas, os ódios, as ambições ilegítimas cavavam largos e intransponíveis fossos entre os cidadãos e entre as diversas classes sociais. Acima dos interesses superiores da grei, os homens punham as suas mesquinhas vaidades, caprichos ou pessoalismos.
A sociedade portuguesa esboroava-se vergonhosamente, e a voz de Febo Moniz era bem a proverbial voz clamando no deserto... Uns atraiçoavam-no vilmente, outros pretendiam convencê-lo ou mesmo vencê-lo, à custa de mil e um processos, que iam desde a intimidação até às razões especiosas.
Febo Moniz permanecia, porém, inabalável como um rochedo, contra o qual nada vale a fúria do mar. Este Herói é bem o homem forte, que nunca abandona a causa da Verdade, e que por ela se deixa morrer. Escravo do Dever e da Honra, ele próprio dizia com altivez: "Eu, Senhor, não saí do meu buraco para fazer o que não devo..."
E porque quis cumprir, até ao fim, a sua obrigação de Português, teve de lutar contra milhares e milhares de opositores declarados ou encapotados, os quais, por todas as formas, lhe tolhiam os movimentos. Essa luta homérica e desproporcionada, de um contra mil, havia de terminar pela sua derrota, porque as almas estavam contaminadas e endurecidas, nada as comovendo ou interessando, a não ser o luxo, o prazer e o dinheiro! Nem argumentos, nem razões, nem lágrimas venciam a dureza de coração, a contumácia dos homens de 1580.
Quando em Janeiro daquele triste ano, Febo Moniz chorou, suplicante, de braços estendidos para um Crucifixo, os procuradores às Cortes de Almeirim ficaram indiferentes, como indiferentes ficaram com as palavras, sentidas e patéticas, que o Herói então pronunciou: "Pelas lágrimas dos orfãos que vivem de esmolas do Reino de seu rei natural; pelo remédio dos fidalgos que lhes tirais entregando-os a rei estranho; pelas necessidades das viúvas que eu sei acham amparo; pelas misérias dos pobres que neles acham abrigo, peço-vos, Senhor, que conserveis este Reino na liberdade, em que os reis vossos antepassados, a quem sucedestes, o puseram. Representai ante vossos olhos que todos comigo vos dão vozes: — A quem nos deixais, Senhor? Por que nos cativais? A quem nos entregais? Onde nos trazeis? — clama o vosso povo; clamam as nossas consciências; clama a nossa justiça; clama a razão; e os nossos clamores hão-de chegar ao céu. Dai-nos liberdade; e se vos parece que a não merecemos, tirai-nos juntamente a vida, para que com ela se acabe o nosso cativeiro, que antes queremos, os verdadeiros portugueses, entregar de boa vontade a vida, que perder a liberdade e sossego." (2)
As reacções foram de tal forma insignificantes, que a independência nacional desapareceu, e Febo Moniz morreu na prisão, onde fora encerrado à ordem do rei estrangeiro.
***
Foi este, pois, o primeiro e o maior dos Heróis da Restauração de 1640. E foi o maior dos Heróis, apesar de vencido, porque conseguiu ser Herói no meio de traidores e de indignos, sem o mínimo desvio, sem a mais insignificante mácula!
Febo Moniz foi o precursor de 1640. Os conjurados que em 1 de Dezembro libertaram Portugal do domínio estrangeiro foram, decerto, grandes e valorosos portugueses: foram Heróis!
Mas foram-no em ambiente propício; encorajaram-se uns aos outros; na lição de sessenta anos de cativeiro e no mútuo exemplo encontraram razões e estímulos pare as suas possíveis vacilações ou fraquezas. Sabe-se que o heroísmo também é contagioso. A heroicidade de qualquer indivíduo pode arrastar outros à prática de actos insignes, por emulação, capricho ou fanatismo. Alem disso, o próprio melo influi na formação de uma certa mística, susceptível de produzir a ânsia de heroísmo. Só assim é possível, talvez, explicar, por sugestão psicológica e influência do ambiente, a abundância de grandes homens em determinados períodos históricos.
Não é este o caso de Febo Moniz. O Herói de 1580 foi, por assim dizer, único. Decerto havia ainda muitos e muitos bons Portugueses, mas dispersos, isolados e silenciosos.
Foi ele quem salvou, naquela trágica emergência, a Honra de Portugal, que neste Procurador de Lisboa às Côrtes de Almeirim encontra o mais belo símbolo de patriotismo inconcusso.
Febo Moniz foi um Herói no meio de insignificantes, de pigmeus e de biltres, e, por isso mesmo que soube elevar-se acima de todas as misérias da sua época, para consubstanciar e defender a perpetuidade da Pátria e da Independência da Nação, o seu heroísmo atingiu o sublime!
Mário Gonçalves Viana
Notas:
1 — Garrett põe na boca de Telmo, símbolo do velho Portugal, as seguintes palavras com que pretende julgar as circunstâncias singulares da morte do Épico: "Estes ricos, estes grandes, que oprimem e desprezam tudo o que não são as suas vaidades, tomaram o livro como uma coisa que lhes fizesse um servo seu e para honra deles. O servo, acabada a obra, deixaram-no morrer ao desamparo sem lhes importar com isso. . . Quem sabe se folgaram ? Podia pedir-lhes uma esmola — escusavam de se incomodar a dizer que não." (Frei Luiz de Sousa).
2 — Freire de Oliveira, Elementos para a História do Município de Lisboa.

(In «Gil Vicente», vol. XVI, nº 5/6/7, págs. 85/89, Maio/Julho de 1940)

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segunda-feira, setembro 19, 2005

As autárquicas e o movimento nacionalista 

Nas próximas autárquicas, os resultados que mais se aproximam da realidade política normalmente expressa nas legislativas, e que terão uma leitura nacional, serão os dos Concelhos de Lisboa e Porto.
Isto considerando tanto os factos de se tratar dos dois Municípios principais do país e com a população mais urbanizada e politizada, como também a circunstância de a eles concorrerem efectivamente todas as forças políticas normalmente presentes no xadrez político nacional, o que quase não acontece em mais nenhum outro Concelho.
Para o PNR, estes dois Concelhos têm ainda a relevância adicional de a eles concorrerem os seus principais dirigentes, representativos aliás dos dois maiores núcleos militantes, a que se somam os pormenores bem importantes de num caso (Lisboa) ser possível fazer a comparação com os números alcançados nas eleições anteriores e no outro (Porto) ser possível finalmente fazer a contagem que permita avaliar o estado actual da implantação, o que infelizmente não aconteceu nas passadas legislativas nem nas anteriores autárquicas.
Em conclusão, trata-se de testes da maior importância à capacidade eleitoral do partido, tanto mais que se sabe à partida que as eleições autárquicas são as mais difíceis para quem não dispõe de uma máquina burocrática já organizada.
Por todos os motivos, importa não perder um segundo e passar de imediato a um trabalho político no terreno, em profundidade, apostando numa estratégia de proximidade e cumplicidade com os eleitores, utilizando os meios que se afigurarem mais eficazes a essa aproximação.

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Hora de balanço 

Na sequência da leitura do artigo sobre a manifestação publicado no "Santos da Casa", parece-me ser o momento adequado para fazer umas curtas anotações sobre esse tema e afins.
Começo por recordar que nos últimos meses houve quatro iniciativas de rua protagonizadas por forças políticas colocadas no campo nacional: a manifestação contra a eventual entrada da Turquia na União Europeia, a manifestação contra a insegurança e o crime, a homenagem a Rudolf Hess e finalmente a manifestação contra o lóbi gay e a pedofilia.
Quer dizer, se considerarmos um ciclo político iniciado no último 1º de Dezembro, e que inclua também o passado 10 de Junho, temos um número considerável de manifestações públicas de génese nacionalista, para além de outras realizações de âmbito mais fechado (estou a referir-me a concertos ou a jantares e almoços de convívio com cariz essencialmente militante).
O número e a variedade já dão para fazer uma análise e um estudo que tenha utilidade acrescida para o futuro.
Os temas foram diferentes, os momentos foram diferentes, a repercussão foi sempre diferente - mesmo que frequentemente os responsáveis e/ou os organizadores se confundam.
Todos esses aspectos, e os mais que se apresentem, merecem neste momento uma reflexão atenta e cuidadosa da parte de todos os que estão empenhados no movimento nacionalista, de modo a extrair as necessárias lições.
Se não for feito este trabalho, corre-se o risco de se perder uma grande parte daquele que foi feito. As iniciativas de rua só terão consistência se forem a expressão pública de um trabalho político devidamente alicerçado.
Peço desculpa aos que só se sentem bem na euforia, mas acho que a serenidade, o cepticismo e um certo "pessimismo metódico" são muito úteis nestas ocasiões.
O "movimento nacionalista", para não estagnar ou regredir, não pode cair numa situação de esgotamento temático, de paralisia por ausência de imaginação e criatividade, ou por simples cansaço repetitivo, como de modo alarmante por vezes já se sente ao percorrer muitos dos blogues que proliferaram numa ou noutra altura de forma a permitir antever uma verdadeira "blogosfera nacional", e que nesta fase dão a sensação de terem atingido precisamente esse ponto de esgotamento.
Naturalmente, espero e desejo que a referida sensação seja desmentida pelos factos.

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sábado, setembro 17, 2005

Viseu Nacional 

De mansinho e sem dizer nada a ninguém, surgiu o Viseu Nacional - um novo blogue de orientação nacionalista dedicado especialmente ao Distrito de Viseu.
Pode contar com o nosso apoio e solidariedade. Oxalá todos os que puderem ajudar, divulgando e colaborando, para trazer a actualidade viseense para o blogue e colocar o blogue na actualidade viseense, não se poupem a esforços.

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sexta-feira, setembro 16, 2005

Querer, querer, e lá vamos!! 

O PNR convoca todos os portugueses, seja qual for a sua orientação partidária, a juntarem-se no dia 17 de Setembro, para protestar contra o crescente avanço da decadência e destruição dos valores tradicionais.
Em defesa da família e do bem-estar das crianças, dizer não às pretensões dos homossexuais, dizer não aos pedófilos.
É preciso garantir Portugal aos Portugueses e às suas normais tradições.
É preciso mostrar publicamente o descontentamento e a revolta contra o apodrecimento da sociedade e do estado.
Contra os acomodamentos e transigências, contra os derrotismos e o fatalismo resignado, é preciso dizer em voz alta o que todos dizem baixinho: o que está não nos serve!
Manifestação em Lisboa, Parque Eduardo VII, pelas 15 horas.

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Será que vai? 

As organizações ligadas ao lóbi gay estão a pressionar o Presidente Jorge Sampaio a visitar o Festival de Cinema Gay e Lésbico que decorre em Lisboa, num gesto simbólico de solidarização.
Será que ele vai? E agora, Sampaio?

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quinta-feira, setembro 15, 2005

Mobilização 

Verifiquei agora mesmo que também voltou às lides o Pena e Espada!
Por outros lados, vejo que Pinheiro Torres e Cruz Rodrigues entraram neste Setembro em grande forma.
Enfim, por vezes também há razões para regozijo. Continuamos a defender que a blogosfera se apresenta como um imenso espaço de liberdade para os portugueses fiéis, um espaço que é preciso explorar e rentabilizar cada vez mais e melhor.

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Novo fôlego 

Regressou ao activo o Batalha Final!
Vem em boa hora, pois já estava a fazer muita falta. E os tempos que correm têm muito que se lhe diga.

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quarta-feira, setembro 14, 2005

708 anos sobre o Tratado de Alcanizes 

Na sequência de esclarecida política diplomática, o Rei D. Dinis assinou com o Rei de Castela, em 12 de Setembro de 1297, o Tratado de Alcanizes, pelo qual se fixou a fronteira entre os dois Estados peninsulares, sendo reconhecida a soberania portuguesa sobre os territórios e povoações de Riba-Côa, Ouguela, Campo Maior e Olivença.
Os limites então estabelecidos jamais sofreram qualquer alteração, assim se constituindo a mais antiga e estabilizada fronteira nacional da Europa.
Todavia, o Estado vizinho, que em diversas ocasiões e sob variadíssimas formas questionou a existência de tais limites, ocupou, em 1801, a vila portuguesa de Olivença. Ocupação esta que permanece,indignamente, apesar das determinações e acordos internacionais (designadamente o Tratado de Viena de 1815), apesar dos próprios compromissos assumidos pelo Estado espanhol, apesar do Direito Internacional.
Na passagem de 708 anos sobre o Tratado de Alcanices, o Grupo dos Amigos de Olivença, denuncia - como sempre o fez desde a sua fundação por Ventura Ledesma Abrantes, oliventino refugiado em Portugal, há mais de 68 anos - a ocupação daquela parcela de Portugal.
Esta associação de cidadãos que não abdicam do exercício dos seus inalienáveis direitos de intervenção pública - continuando o testemunho de tantos vultos que pugnaram pela portugalidade de Olivença, como Hernâni Cidade, Jaime Cortesão, Queiroz Veloso, Torquato de Sousa Soares, General Humberto Delgado, Miguel Torga, Ricardo Rosa e Alberty - reclama-se, muito simplesmente, daquela que é a posição jurídico-política portuguesa, com cobertura constitucional: Portugal não reconhece legitimidade à ocupação de Olivença por Espanha, considerando que o território é português de jure.
No momento em que se apresentam diversos candidatos a Presidente da República - garante da Independência Nacional - espera-se deles a iniciativa de trazer a debate a Questão de Olivença e a capacidade de apresentar um programa nacional para a sua resolução.
O Grupo dos Amigos de Olivença prosseguirá animosamente os seus esforços pelo reencontro com Olivença, no respeito pela História, pela Cultura, pela Moral e pelo Direito.
Que os cidadãos portugueses, por todos os meios, exijam que a Questão de Olivença seja colocada na agenda política nacional!

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Manifestação 

O Governo Civil de Lisboa tornou pública formalmente a autorização da manifestação marcada para sábado pelo Partido Nacional Renovador, em protesto contra a pedofilia e o lobby gay, contra a adopção de crianças por casais homossexuais, contra a equiparação das uniões homossexuais ao casamento.
O porta-voz do Governo Civil de Lisboa declarou à agência Lusa que o aviso da manifestação foi recebido e já foi analisado pelos serviços, encontrando-se de acordo com as disposições legais existentes.
A concentração está prevista para as 15 horas de sábado 17 de Setembro, no Parque Eduardo VII, em Lisboa.

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terça-feira, setembro 13, 2005

A abolição do casamento 

Esta será a etapa seguinte: já se reivindica a "abolição do casamento" e a sua substituição por um simples "contrato de vida em comum", à disposição de quem quer que seja, independemente do sexo ou do número de pessoas (penso que os animais não estão incluídos por falta de personalidade jurídica, não podem (ainda) fazer contratos).
Veja-se a notícia aqui (descobri via Letras com Garfos).

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segunda-feira, setembro 12, 2005

Manual para um militante 

Um estudo necessário a quem pretende agir em política: para uma teoria da organização, de Ernesto Milá.
Disponível em pdf, com o título La forja del acero.
Façam o favor de imprimir, e estudar.

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PANTANAL 

«...O descalabro a que chegou a Nação é muito vasto e profundo. Os senhores reparem que há um século que Ela está sendo devastada e envenenada pelo Liberalismo, e que há quinze anos que está sendo saqueada e sangrada pela torva Demagogia. Isto não é brincadeira nenhuma. Fazer-se de uma Nação Crente, uma Nação Céptica; de uma Nação moral, uma Nação escandalosamente amoral; de um Estado regularmente próspero e honrado, um Estado parado e desacreditado; pôr um Povo do avesso, e fazer dele, que foi trabalhador e grande, um Povo de madraços ambiciosos, criminosos, e mesquinhos; deslocar toda a gente das suas preocupações legítimas e atirá-la para as preocupações de uma politiquice ignóbil; fazer do português que foi, através dos séculos, marinheiro, lavrador, pastor, comerciante, soldado, poeta, santo - em todo o caso alguma coisa de honesto e de belo, esta coisa torpe e nojenta - o eleitor; fazer da Nação o que fez a Democracia e o Liberalismo não é brincadeira nenhuma.
E erguer a Nação do atoleiro em que se afunda, ainda menos brincadeira é.»
Alfredo Pimenta(In Nas Vésperas do Estado Novo, págs. 96/97)

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DEMOCRACIA 

«...Uma República anti-liberalista é preferível, para um monárquico integral como eu, a uma Monarquia liberal. Uma República liberalista deve ser preferível, para um monárquico liberal, a uma Monarquia anti-liberalista.
O mundo político, actualmente, já não se divide bem em monárquicos e republicanos: divide-se em liberais e anti-liberais. Os liberais estão todos presos pelo cordão umbilical da Urna; todos eles deitam incenso na ara absurda do Voto. Aos anti-liberais, une-os a Consciência de que o Sufrágio político, individualista, é uma mistificação.
O Liberalismo, ou seja monárquico ou seja republicano, além de que repousa sobre uma mentira, o voto, e de que conduz a outra tentativa - o Povo soberano -, é, na sua essência, inimigo de Deus. Todo o poder vem de Deus - omnis potestas a Deo.
Mas para o Liberalismo, monárquico ou republicano, todo o poder emana do Sufrágio. E é por isso que nós assistimos, de vez em quando, ao afã dos liberalistas, no sentido de purificarem o Sufrágio. É que, para eles, o Sufrágio é tudo! O homem, munido do papelinho branco, é omnipotente, omnisciente. Um milhão de homens de um lado, outro milhão de homens do outro lado. Empate. Quem vai desempatar? O Pistautira (oh!) que se esquecera de que era o grande dia do Povo soberano. Vão chamar o Pistautira!
E o Pistautira chega, e vota. E desempata... Quem foi omnipotente? Quem foi omnisciente? O Pistautira... É isto o Liberalismo.
O Sufrágio político é moral. Corrigi-lo, como pretendem os liberais, é piorá-lo. Aperfeiçoá-lo é torná-lo mais nocivo ainda. O que é preciso é a representação das Famílias, dos Municípios e das Corporações, porque o Poder vem de Deus, e não do Povo. E a eliminação do Sufrágio político não é, portanto, atentatória das liberdades populares, antes é a sua garantia máxima. Garantir a liberdade doméstica, a liberdade municipal e provincial, a liberdade corporativa - é deitar abaixo a Liberdade, árvore à sombra da qual tem germinado e florescido todas as tiranias, com a tirania do Número, do Anónimo, do Voto, à frente, mas é desenvolver a Nação, e abrir-lhe largos horizontes no futuro. A Liberdade é inimiga das liberdades. Onde a Liberdade impera, morrem, asfixiadas, as liberdades. Ora estas são fecundas; a Liberdade é estéril.
Liberalismo é o regime da Liberdade. A guerra ao Liberalismo é uma guerra santa. Foi ele que atentou primeiro contra a Igreja; foi ele quem enfraqueceu e estiolou o Princípio monárquico.»
Alfredo Pimenta
(In Nas Vésperas do Estado Novo, págs. 134/135)

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Dinamismo e persistência 

Continua a bom ritmo de actualizações e com vasta oferta de leitura (produção própria e original) o blogue Aliança Nacional.
Anoto o facto, e congratulo-me - olhando melancolicamente para tantos outros, nascidos bem depois, e que cedo apareceram esgotados. São dezenas de blogues, ou parados ou ao ritmo do lá-vem-um... um mísero post, muitas vezes ininteligível devido ao pretoguês.
Não haverá nada para dizer? Nada na actualidade local? Nada na actualidade regional? Nada na actualidade nacional? Nada na actualidade internacional? Nada sobre a economia? Nada sobre a cultura? Nada sobre o ensino? Nada sobre a política? Nada sobre as eleições? Nada sobre os jovens? Nada sobre os reformados? Nada sobre nada?
O que estará na origem do silêncio de tantos que tanto gostam de gritar?
Porque se cala aqui a direita roncante que em privado berra e gesticula e troveja que é preciso fazer alguma coisa?

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domingo, setembro 11, 2005

CONSTITUCIONALISMO 

«A propósito de Constituições, do seu valor teórico e prático, li, outro dia, a afirmação de que a Constituição portuguesa de 1826, vulgo Carta Constitucional, «governou o País durante mais de oitenta anos, em plena liberdade política e civil, nunca prejudicando, e antes fomentando a riqueza material e o bem-estar moral dos cidadãos».
Esta tentativa de reabilitação fez-me sorrir. Esqueceu ao autor da afirmativa citar os Actos adicionais. E, pelo visto, também lhe não lembrou que, por ocasião da queda da Monarquia, em 1910, os partidos monárquicos consideravam a Carta Constitucional uma coisa que precisava de ser pintada, reformada, substituída. Essa convicção intensificou-se pouco a pouco, alastrou pouco a pouco, e dentro de algum tempo, entrava na Consciência dos portugueses, de tal maneira que se fez o 5 de Outubro - uma bernarda de caserna e de rua, facilimamente dominável por um esquadrão da Guarda, se não tivesse a apoiá-la, numa cumplicidade manifesta, toda a gente que tinha o ouvido direito cheio das promessas dos republicanos, e o ouvido esquerdo atulhado das críticas que os monárquicos faziam da Monarquia.
A Carta Constitucional introduziu-se em Portugal, sem corresponder a qualquer necessidade do País. Foi obra do Maçonismo e da Revolução - quer dizer, do estrangeiro. O levantamento que se operou contra ela, e que terminou bruscamente em Évora-Monte, é das páginas mais viris da história de Portugal, apesar das defecções individuais conhecidas. Foi verdadeiramente o levantamento em massa da Nação, em defesa de Deus e do Trono, que teria feito evaporar os bravos do Mindelo, se estes não tivessem atrás de si o estrangeiro, a sustentá-los. Encerrado o ciclo da guerra civil, por cansaço, que não por convencimento da Nação, e abrandadas as disputas à mão armada a que a Carta Constitucional deu nascimento, dentro dos seus próprios partidários, entrou-se numa era de fomento deveras notável - de que ainda hoje, até certo ponto, vivemos, em que se traçaram vias férreas, se lançaram estradas, e se fundaram empresas. Seguindo-se o preceito do Fontes, regou-se o País com libras. Os empréstimos sucederam-se. Mas como os governantes são honrados, o dinheiro que entrava no País era aplicado ao benefício material do mesmo País.
Isto, por virtude da Carta Constitucional?! Afirmá-lo é uma coisa sem pés nem cabeça. Por muito grande que tivesse sido essa época de desenvolvimento material - ela não tem comparação com a dos Descobrimentos. E a Nação encheu quase dois séculos, nessa empresa magnífica, eterna, trazendo pela mão mundos novos à Civilização antiga, e abrindo a esta horizontes inéditos e ilimitados. Caiu exausta em Alcácer, levada no sonho luminoso do seu chefe imortal. Mas a obra que realizara, essa ninguém mais lha arranca, e enquanto houver mundo, o nome de Portugal ninguém o apagará da História. E todavia, não havia Carta Constitucional, com a Liberdade política e civil inerente...
A obra de fomento realizada pela Nação durante a segunda parte do século XIX, não tem nada que ver com o papel que, em 1826, o estrangeiro lhe meteu nas mãos, e que ela sacudiu, mas que em 1834, o mesmo estrangeiro lhe impôs à força. Essa obra de fomento realizou-se a despeito da Carta Constitucional. E porquê? Porque, em regra, ninguém fazia caso dela. Quando se começou a fazer caso dela, isto é, do seu espírito, da filosofia que a inspirava, aí por volta de 1880 - entrou-se no primeiro círculo da Demência política.
E duas coisas ressaltaram logo: a letra da Carta Constitucional, démodée, e a sua alma procurando corporizar-se, e revestir nova forma. A alma da Carta Constitucional era a Revolução: a letra fôra a máscara. A máscara já não servia. A alma queria outra. Essa outra, deu-lha a República. A Carta Constitucional é a primeira forma da Constituição republicana.
A Constituição republicana é o desenvolvimento da Carta Constitucional.
Que trouxe a Carta Constitucional ao País?
Em que aumentou ela o Património nacional?
Vejamos:
São três as categorias das manifestações da vida de uma Nação: morais, espirituais e materiais.
Moralmente, a Carta Constitucional, regalista, introduziu a política na igreja e transformou os párocos em galopins eleitorais; espiritualmente, isto é, culturalmente, não deu mais do que já havia. Tivéramos as Universidades de Coimbra e de Évora florescentíssimas. Vinham do antigo regime, as Academias, onde tanto se trabalhou.
Sob o ponto de vista material, não me consta que a Carta Constitucional contenha disposições que lhe digam respeito.
Que trouxe, então, a Carta Constitucional ao País? Trouxe-lhe o Liberalismo, isto é, a Anarquia em potência, como diriam os Escolásticos. Introduziu no Estado um espírito novo, uma Doutrina nova, uma Filosofia nova - o Liberalismo.
Ora o Liberalismo é como a formiga branca, numa casa: roe, discretamente, em silêncio. Quando a gente menos espera - a casa está arruinada pela formiga branca, a Nação está morta pelo Liberalismo. A gente vive na casa, faz obras na casa, diverte-se na casa - e a formiga branca roe, roe, roe. A Nação traça estradas, lança pontes e caminhos de ferro, abre portos, levanta fábricas, expande-se - e o Liberalismo roe, roe, roe...
E um dia, a casa desaba, a gente vê o madeiramento em pó; e um dia, a Nação sucumbe, e a Nação vê os seus fundamentos morais, os seus alicerces espirituais, desfeitos. Caíu a casa. Morreu a Nação. Foi o que se deu connosco.
O Liberalismo introduziu-se nas folhas e nos artigos do papel Constitucional, e começou a sua obra de sapa, discreta, silenciosa.
A prosperidade material cegou os homens: eles só viam as estradas, os caminhos de ferro, as empresas, as fábricas. Deslumbrados pelo desenvolvimento material do País, eles não reparavam em que a Disciplina ia enfraquecendo, em que a Autoridade se ia desprestigiando, em que a Religião se ia entibiando, em que o respeito ia desaparecendo. Eles só viam portos, caminhos de ferro, estradas, fábricas, e não reparavam na falência progressiva do nosso Património moral e cultural. Eles esqueciam que nem só de pão vive o homem, que nem só de riqueza material vivem as Nações. Essa concepção materialista que já tenho ouvido muitas vezes na boca dos defensores do Liberalismo é um dos piores sintomas que a deficiência intelectual e a desorientação cultural nos podem oferecer.
Um regime político não se avalia só pelo bem estar material que proporciona ou facilita ou permite a um Povo - porque nem os indivíduos nem os Povos vieram a este mundo exclusivamente para os bens materiais.
A Carta Constitucional não impediu o desenvolvimento material da Nação? Não impediu. Mas foi o veículo da sua desorganização moral e da sua anarquia mental.
Nos primeiros tempos, ninguém deu por elas. Quando um Rei previdente e inteligente deu pelo mal - era tarde, muito tarde. Mataram-no. É que fazer frente a uma Ideia é mais perigoso do que afrontar os tigres e as panteras. A Ideia liberalista, democrática, como a formiga branca, atacara os vigamentos da Nação. Quando viu diante dela, disposto a contê-la no seu avanço maldito, a figura do Rei, mobilizou todas as suas energias e atirou-se à bruta contra o adversário. Era forte. Era muito forte. Já era vaga. Enrolou o Rei, enrolou a Dinastia. E atrás do Rei afogado, da Dinastia subvertida - os senhores são tão cegos que não vêem que vai também a Nação, que vão também sete séculos de História?»
Alfredo Pimenta
(In Nas Vésperas do Estado Novo, págs. 78/83)

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sábado, setembro 10, 2005

Contra o lóbi gay e a pedofilia 

Manifestação a 17 de Setembro: só falta uma semana!
São poucos dias para divulgar, por todos os meios possíveis: por sms, por email, nos blogues, nos foros, nos sites e páginas disponíveis, nas ruas, nos empregos, nas escolas - digam não à pedofilia, não ao domínio do Estado pelo lóbi gay, não à legalização da anormalidade, não à entrega de crianças a parelhas de homossexuais, não à equiparação dessas uniões a um casamento, não à destruição dos alicerces institucionais de qualquer sociedade equilibrada e saudável.

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SUFRÁGIO 

«Suponhamos...
Sim, suponhamos que o Sufrágio é uma coisa séria, que a Soberania popular é uma coisa séria, que a Vontade popular é uma coisa séria.
Suponhamos que os recenseamentos eleitorais são documentos honestos. Suponhamos que amanhã um governo digno se resolve a fazer eleições dignas. Suponhamos toda esta quimera doirada, isto é, suponhamos a pureza e a bondade da Democracia. É o impossível; mas não é contra o bom senso argumentar pelo absurdo. Suponhamos então o absurdo da Democracia não ser a mentira integral que é, e que ela seja aquilo que não é nem pode ser. Suponhamos.
A maioria da Nação é indiscutivelmente monárquica, politicamente, e católica, religiosamente. Elegia, na hipótese, uma maioria parlamentar monárquica e católica. Admitamos, agora, que os parlamentares católicos, eram de tendências monárquicas. À face dos princípios democráticos, dos princípios da soberania popular, essa maioria parlamentar representava a vontade suprema da Nação. O que ela decidisse, o que ela resolvesse, a atitude que tomasse, representavam, à face dos princípios dos meus adversários, a expressão da Vontade nacional.
Aqueles que a ilusão democrática seduz, aqueles monárquicos que acendem suas velas no altar do Liberalismo e do Constitucionalismo e da Democracia, andariam radiantes, esfregariam as mãos de contentes, nas vésperas da abertura do novo Parlamento. Porque claro estaria que a maioria parlamentar monárquica, logo que o Parlamento abrisse, iria proclamar a Monarquia. Erro fundamental, triste erro o seu! Há uma Constituição. Uma Constituição derroga-se ou por um golpe de Estado, ou por uma revolução, ou por uma votação parlamentar.
Golpe de Estado ou revolução - são actos revolucionários: precisam da cooperação do Exército.
Este seria o seu sustentáculo contra quem quer que fosse que tentasse destruí-la revolucionariamente. Resta-nos o processo da votação parlamentar. Como estamos na vigência da Constituição, o Parlamento eleito, na hipótese, teria de se meter dentro dela, pois que, se tentasse sair dela, encontraria pela frente as espadas zelosas da pureza constitucional. Ora o que diz a Constituição da República? Diz isto, que aqui deixo exarado, para ensinamento dos teóricos da Democracia e do Liberalismo:

«Art. 82.º, § 2.º. Não poderão ser admitidas como objecto de deliberação, propostas de revisão constitucional que não definam precisamente as alterações projectadas, nem aquelas cujo intuito seja abolir a forma republicana do governo».

Quer dizer: a maioria parlamentar monárquica do Parlamento hipotético que temos diante dos olhos não poderá, dentro da legalidade, proclamar a monarquia. Fora da legalidade, o Exército não lho permitiria. Dentro da legalidade, não lho permite a lei. Os cavalheiros de 1910 - porque foram eles que fizeram a Constituição de 1911 - os cavalheiros de 1910 impingiram-nos um sistema de governo para toda a eternidade, ou então, e é aqui que eu quero chegar, atiram a causa monárquica para o caminho revolucionário. Eles já tinham declarado, no n.º 12 do art. 3.º, que as congregações religiosas e ordens monásticas «jamais serão admitidas no território português». Jamais! A introdução das ordens religiosas em Portugal é matéria constitucional. E como a Constituição declara que jamais elas serão admitidas entre nós, evidentemente que qualquer tentativa que se fizesse no sentido de as introduzir esbarraria na disposição constitucional proibitiva do n.º 12 do art. 3.º. Ora pois.
A República não tem que recear uma maioria parlamentar monárquica. E os monárquicos (que os há!) acalentam o sonho de, por meio do Parlamento, modificarem as instituições do País, bem podem pôr de parte o seu sonho - porque ele é constitucionalmente irrealizável! Então? Então, o regime republicano é, por natureza, por disposição constitucional, o regime da guerra civil.
E a Soberania popular, o Sufrágio, a Vontade nacional, todos esses palavrões campanudos com que nos enchem até à demasia os ouvidos, depois de terem saturado os ouvidos dos nossos pais, todos esses palavrões são mentiras, e já agora não são teóricas, mas constitucionais. Nós já o sabíamos; mas, pelo visto, há muita gente que o desconhece. É uma coisa curiosa esta: neste país onde toda a gente mete o bedelho na política, há um diploma que a quase totalidade da gente ignora: a Constituição. Pois olhem que vale a pena lê-la. Vale, vale. Aprende-se muito e aprende-se principalmente a conhecer de que casta é a Democracia.
Não há tirania mais absorvente e mais implicante. De falinhas mansas, arvorando princípios superficialmente sedutores, prometendo Liberdade a jôrros, Igualdade às canadas, e Fraternidade aos almudes, a Democracia é, no entanto, o Despotismo mais feroz, e mais truculento, e mais abusivo, e mais casmurro.
E o mais difícil de sacudir, porque é o mais difícil de convencer. A tirania dum só abranda, cede, que mais não seja diante do receio da cólera dos tiranizados. A tirania da Democracia porque é irresponsável, porque é uma tirania de mil cabeças, não há lógica que a abrande, não há espectáculo que a atenue, não há consequências que a dobrem, não há razões que a convençam. É a tirania dos cobardes, é a tirania dos hipócritas. É a tirania do Número, e, sendo a tirania do Número, é a tirania do Vácuo: está em toda a parte e não está em parte nenhuma. Lisonjeia os inferiores, e submete as capacidades às suas exigências.
Pois há quem goste disto, há quem entenda que é com isto que se deve viver. Não é ainda suficiente o espectáculo que este pobre País, vítima da Democracia, apresenta? Pois então continuem - e, depois, apertem as mãos na cabeça, e gritem contra a catástrofe, que há-de servir-lhes de muito! Repito o que tantas vezes tenho dito: ou pela Revolução, ou contra a Revolução. Ou pela Revolução com a Democracia, ou contra a Democracia e contra a Revolução. Não há terceiro caminho. Não há outra solução.»
Alfredo Pimenta
(In Nas Vésperas do Estado Novo, págs. 73/74)

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PARLAMENTO 

«...O sistema parlamentar gera oradores, tribunos intriguistas, mas homens de Estado, se os revela, é por feroz reacção; se os revela é como inimigos do próprio sistema parlamentar. Entre o homem de governo e o político, há um abismo. O homem de governo governa, impõe-se, conduz, desagrada ao Presente para servir o Futuro. O político é o produto do sistema parlamentar. O homem do governo é o produto do Interesse nacional bem compreendido.
Os dois perigos fundamentais imediatos conduzem a um perigo fundamental longínquo: a anarquia. A anarquia em que nos debatemos é a resultante de um século de sistema parlamentar.
Mas - dir-me-ão os parlamentaristas, não há maneira de se evitar o aparecimento dos dois perigos? Eu respondo: não. Não há, efectivamente, maneira de se evitarem os dois males. Tirar ao Parlamento acção sobre os governos - no que diz respeito à sua nomeação e à sua demissão, é introduzir no Estado o sistema presidencialista. Limitar-lhe as atribuições legisladoras é, ou transformá-lo de legislativo e deliberativo em consultivo, ou reduzi-lo a um simples fiscal de contas - em qualquer dos casos, destruí-lo.
O Parlamentarismo ou se aceita tal como é, com todos os seus defeitos e todas as suas consequências, ou se rejeita in limine.
Criar uma instituição artificial, obra do capricho pessoal de alguém, e chamar-lhe Parlamento, é uma mistificação de mau gosto. Contra a Ditadura, houve quem argumentasse com a possibilidade de um incompetente ser ditador, chamando a essa situação a Ditadura da inépcia. Discordamos. A Ditadura de um incompetente pode ser, e é, a Ditadura de um inepto. Agora, Ditadura da inépcia é a do Parlamento.
Temos dito e redito que a Ditadura não é um sistema governativo; é um processo, um método transitório. O que nós queremos, como definitivo, não é, nem a Ditadura que é, por definição, excepcional, nem o Parlamentarismo que é, por definição, anti-nacional. O que nós queremos, como definitivo, é um sistema em que o Rei reina e governa, assistido dos seus ministros ou secretários de Estado, dos conselhos técnicos organizados, e da Representação dos Municípios, das Províncias, e das Corporações, a qual terá funções deliberativas, em matéria orçamental e tributária, e meras funções consultivas, em tudo o mais. Essa Representação não tem no seu seio partidos políticos, - porque uma Nação não se compõe de partidos políticos. Constituem-na forças espirituais, morais e produtoras que são os três elementos fundamentais da Nação. Ao Individualismo revolucionário, é preciso substituir o Corporativismo positivista. No Estado, o Indivíduo não existe; o que existe é a Família. No regime que nós preconizamos, os homens públicos, os homens de governo não são elevados ao Poder, pelos caprichos flutuantes das Assembleias parlamentares, ou pelas ambições ocultas das clientelas políticas. São lá chamados pela competência averiguada por quem tem melhor qualidade para a avaliar: pelo Rei.
Como se vê, o Parlamentarismo não é mau, pela qualidade dos parlamentares: é mau, pela sua própria natureza.»
Alfredo Pimenta
(In Nas Vésperas do Estado Novo, págs. 70/71)

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sexta-feira, setembro 09, 2005

Sedução e dor de cotovelo 

Que o Dr. Soares vive obcecado com o seu lugar na História, era já sabido (espelho meu, haverá alguém mais vaidoso do que eu?!!).
O Aliança Nacional descortinou que ele vive também fascinado e invejoso com a personalidade de Salazar (o único estadista português do século XX). E que até se propõe escrever uma biografia de Salazar. Pode ser, pode ser. Mas se ele pudesse apagá-lo da História, era isso o que faria. Se escrever uma biografia, será só para tentar compensar essa impossibilidade. Vai ser uma "biografia de Salazar" para compôr o retrato de Soares.

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Euro-ultramarino 

Apresento-vos um blogue que descobri há alguns dias, e que merece toda a vossa atenção. O Euro-Ultramarino.
Tem o conteúdo e a qualidade que se precisa!...
Esperei até consignar aqui a minha saudação amiga por um motivo simples de explicar: estou traumatizado com os blogues que aparecem para logo desaparecer... vocês sabem, aquela rapaziada que escreve três posts, com grandes exclamações, muitos erros ortográficos e palavras de ordem inflamadas - e ao quarto dia desiste porque se cansou, esgotou ou lá o que é.
Os ideais eram fraquinhos, a indignação passageira, o fogo de palha, a militância ocasional, o espírito de sacrifício ausente, as ideias poucas, as palavras escassas??
O certo é que a continuidade e a assiduidade, a humilde mas firme determinação de trabalhar a todas as horas, serenamente, constantemente, pela causa que se apregoa - tudo são realidades que muito se apreciaria ver espalhadas onde tantas vezes faltam.
Enfim, haja alguns para manter o facho erguido - que dos fracos a História nada dirá.

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quinta-feira, setembro 08, 2005

Militância e divulgação 

Sintetiza o Santarém Nacional:
O que falta desta semana e a próxima vão pôr à prova a nossa capacidade de mobilização. Todos nos devemos empenhar na recolha de assinaturas lançada pela Maria Lopes e a que se associou a nossa Juventude Nacionalista e divulgar activamente a nossa manifestação de Sábado, dia 17 de Setembro.
Ora nem mais!

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PARLAMENTO 

«É com a mais justificada curiosidade que estamos a assistir aos preparativos da constituição da Assembleia Nacional de Espanha, por ela ser o repúdio formal do Parlamentarismo, e a aceitação da representação das corporações.
á quem diga, como o seu quê de vaidade: fui sempre parlamentarista! Por mim, digo, com tal ou qual orgulho: fui sempre anti-parlamentarista. A Ditadura de João Franco, combatia-a, não por ser Ditadura, mas porque os dirigentes republicanos me garantiam, sob a sua honra, que era uma Ditadura com maus fins, e, nesse tempo, eu não tinha razão para duvidar da honorabilidade dos dirigentes republicanos. O Parlamentarismo não é mau, pelos homens que constituem os Parlamentos. Já ouvi dizer que se queremos o Parlamentarismo respeitado e enobrecido, - instruamos os homens, os disciplinemos e lhes corrijamos as brutalidades naturais. Isto é não fazer ideia nenhuma do que é o Parlamentarismo, e do que é o Parlamento.
Antes de mais nada, convém assentar em que o Poder Executivo ou o Governo está dependente do Poder Legislativo ou do Parlamento. A nomeação e demissão livres dos membros do Governo, por muito fixadas que estejam nas Constituições, resultam ineficazes, porque, emanando toda a autoridade política da Assembleia parlamentar, não há Governo que governe contra a confiança da mesma Assembleia. Se só governam os Governos que os Parlamentos querem, a nomeação e demissão livres dos ministros, feitas pelo Chefe do Estado, são uma mentira. O Parlamentarismo é ainda o sistema em que todas as leis emanam do Parlamento. Daqui, resulta que quanto mais puro, verdadeiro e sério fôr o Parlamentarismo, mais perigoso ele é, para a Nação que o adopta. De modo que ou se erige em sistema a Mentira, a Burla, a Comédia - conseguindo-se, assim, atenuar, até certo ponto, os malefícios do regime parlamentar, ou se pratica a pureza da instituição, e é o caos, a breve trecho.
Os perigos fundamentais imediatos do Parlamentarismo são dois: como consequência da sua acção sobre a nomeação e demissão dos governos, - a instabilidade governativa; como consequência da sua função legisladora - a desorganização dos serviços do Estado.
Em que se funda o primeiro perigo? Na constituição do Parlamento, na sua forma. O Parlamento é uma Assembleia política, isto é, uma Assembleia constituída por paixões políticas, por interesses políticos, ou seja por partidos políticos: tem a característica de todas as Assembleias, - agravada por duas circunstâncias: a da sua origem, e a da natureza dos seus elementos componentes. Sai do Sufrágio Universal, e representa paixões políticas. Sai da multidão anónima, irresponsável e incompetente, e é formado pela caótica mistura das correntes políticas.
Em que se funda o segundo perigo? Na incompetência do Parlamento. A soma das incompetências não dá competência.
Ou a escolha primária, originária, dos membros do Parlamento é sincera, honesta, verdadeira, pura - e, nesse caso, o resultado da mobilização dos incompetentes e dos irresponsáveis não pode dar mais do que incompetência e irresponsabilidade; ou aquela escolha é fantasiosa, produto de operações e combinações ocultas - e nesse caso, porque não confessar a verdade, porque não concordar na inutilidade ou no perigo parlamentar?
Comte, que foi um dos mais luminosos espíritos do mundo das Ideias, teve a fórmula feliz: os inferiores não podem escolher os superiores.
O estado lastimável, e confessado por todos, a que chegou o Parlamento português, não é uma aberração, um desvio, uma anomalia: é antes, a étape actual da Evolução lógica do sistema parlamentar. O período do rotativismo, à inglesa, foi o período da deturpação do sistema. Como se estava em sistema deturpado, foi possível o aparecimento de alguns homens de governo. Não foram tantos, como, por aí, se afirma: mas foram alguns.»
Alfredo Pimenta
(In Nas Vésperas do Estado Novo, págs. 66/69)

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NAS VÉSPERAS DO ESTADO NOVO 

«... Em todos os partidos republicanos, há homens a aproveitar, uma vez que sejam desenquadrados dos partidos. Esses homens, potencialmente úteis, têm sido nefastos, precisamente porque se encontram dentro dos partidos. Ao lado desses, há os que são prejudiciais - estejam fora, estejam dentro dos partidos.
A sua acção é, porém, muito pior dentro dos partidos, porque são estes que lhes emprestam uma força que, só por si, nunca teriam. Um partido político é um aposento fechado, em que o ar é viciado.
Um homem, por muito inteligente que seja, e muito sensato, e muito prudente, e muito calmo, e muito lúcido - dentro de um partido político, perde a autonomia da sua inteligência, do seu senso, da sua calma, da sua prudência e da sua lucidez: dentro de pouco tempo, passa a pensar e a sentir como o partido político a que pertence. A disciplina partidária tolhe-lhe os movimentos. Ele passa a ser o reflexo da multidão dos partidários; ele passa a ser o joguete nas mãos do Interesse partidário. Se tenta manter-se autónomo, acusam-no de prejudicar a disciplina do partido.
Se se sujeita a esta, naufraga. Porque todos os partidos são maus, todos, todos, sem excepção. Há uns milhares melhores do que outros; mas todos são maus. Os melhores são os mais inúteis. Quanto melhor é um partido, menor é a sua acção política, menos profícua a sua intervenção na vida nacional.
Guerra aos homens? Não. Guerra, e sem tréguas, aos partidos. Aproveitem os homens, e esmaguem os partidos. À Nação, não a constituem partidos políticos. Constituem-na, sim, as forças espirituais, morais e materiais: o Pensamento, o Sentimento e a Acção. Os partidos políticos são elementos de dissolução nacional e de anarquia nacional.
Eles são a fonte da guerra intestina. São eles que lançam os homens uns contra os outros. São eles que criam este estado miserável dos exilados na própria terra.»
Alfredo Pimenta
(In Nas Vésperas do Estado Novo, págs. 51/55)

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A Ditadura 

«...Partidário, à falta de melhor, da Ditadura pessoal, responsável, em que temos vivido, com todos os seus defeitos, com todos os seus inconvenientes, com todos os seus perigos, asseguro-o desde já, preferível à constitucionalidade que se nos oferece, eu votaria a continuação da Ditadura, e opor-me-ia à sua transformação em regime constitucional.
A verdade é que foi ela que nos deu o saneamento financeiro, o impulso admirável do fomento, o prestígio externo, e a magnífica ordem nas ruas que torna possível o trabalho fecundo e a prosperidade económica.
Se a sua obra é esta, não vejo motivo para se mudar.
Como português, como contribuinte, como homem de trabalho, como chefe de família — e além disso, porque sou convocado a votar, direi pura e simplesmente que, à falta de melhor, a Ditadura estava muito bem como estava, e que o País saindo dela vai meter-se no imprevisto.
E no entanto, no próximo domingo, votarei.
Em que voto, então?
Voto, em primeiro lugar, na Inteligência, representada superiormente pelo sr. Presidente do Conselho.
É um regalo excepcional para o meu espírito, ouvi-lo ou lê-lo. Subtil, sem ser incompreensível ou difícil; claro, sem ser banal; castigado na forma de se exprimir, sem cair em requintes doentios — e depois, acima disso tudo, embebido numa doutrina que só não é perfeita por lhe faltar o fecho da abóbada — o espírito do sr. Presidente do Conselho é do mais formosos espíritos políticos da nossa História.
O infeliz Trindade Coelho tinha razão: fala europeu. Ao nacionalismo da sua linguagem corresponde o universalismo do seu pensamento.
Salvo raras excepções os governantes do Estado que a República revelou ou teve falavam pretoguês, e o seu pensamento era, quando muito, um pensamento de botequim ou de baiúca. Os melhores ainda chegavam ao pensamento de partido. Nenhum atingira o pensamento nacional: o sr. Presidente do Conselho Oliveira Salazar ultrapassa as fronteiras da Nação: é o pensamento europeu, no que este tem de mais profundo e mais sólido.
Voto, pois, em primeiro lugar, na Inteligência, que o sr. Presidente do Conselho representa.»
Alfredo Pimenta
(In Eu voto! E porque voto?, «A Voz», n.º 2811, págs. 1/6, 14.12.1934)

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quarta-feira, setembro 07, 2005

Esquadrão H 

Contra o lobby gay, contra o casamento e adopção de crianças por homossexuais, contra a pedofilia - uma iniciativa oportuna e de grande alcance político.
Visitem o Esquadrão H, e não esqueçam o abaixo-assinado que está a circular e a manifestação convocada para para 17 de Setembro.
Mobilização geral!!! - na blogosfera e na vida real, todos os dias são dias para combater o bom combate.

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Os Partidos e o Rei 

«Os partidos mexem-se. E a Nação vê com terror o regresso dos Partidos.
Não são cá precisos, os Partidos. A Nação dispensa os Partidos. Todos os partidos. Porque uma Nação não a constituem partidos. Os Partidos desunem, cavam abismos, semeiam a discórdia. A união da família portuguesa só pode fazer-se se se sacrificarem os Partidos, sobre as ruínas dos Partidos. Bandeiras partidárias? Não as queremos. Uma bandeira chega — a da Pátria.
Os Partidos mexem-se?...
Que a Nação em peso grite connosco, para que todos oiçam bem: — Fora! Fora! Fora!»
(«Fora! Fora! Fora!» in «A Voz», n.º 166, pág. 3, 20.07.1927)

«...Mas para nós que somos contrários ao regime de opinião — o Interesse nacional não está de todo em todas as opiniões: está todo numa só. E todas as outras são ilegítimas, absurdas e abusivas.
Simplesmente, não é na soberania do Povo, vã, flutuante, mentirosa, que se encontra o juiz final do problema. É no Rei, que é mais instituição do que pessoa — mesmo quando exerça o poder pessoal íntegro, porque o Rei é o Permanente, o Estável, a Continuidade, e nos regime da opinião vive-se à mercê do Transitório, do Efémero, do Acaso. O Rei é a expressão da Dinastia. E esta é a primeira das Famílias de que se compõe a Nação. Ele acompanha, portanto, a vida nacional, desde o seu início, e sabe conduzir o agregado geral, de modo a não se quebrar a continuidade do Interesse superior.»
(As Opiniões nos regimes de Opinião, in «A Voz», n.º 649, pág. 3, 25.11.1928)

Alfredo Pimenta

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O NÚMERO E A DEMOCRACIA 

Poucos têm insistido tanto, entre nós, em criticar a Democracia, por ela se basear no Número, como eu.
Sempre que posso, isto é, sempre que tenho pretexto para tal, chamo a atenção dos espíritos reflectidos para a absoluta sem razão que existe numa Doutrina que faz depender a verdade da opinião da maioria. E digo que a verdade é independente do número dos que a professam, podendo estar na minoria, estando, mesmo, por via da regra, fora da maioria. É que não podendo ela ser, e não devendo ser, resultante da inteligência média, mas sim das inteligências superiores, e não sendo estas nunca em grande número, nos meios sociais, evidentemente que ou ela sai do reduzido grupo das inteligências superiores, e não é, portanto, obra da maioria, ou sai desta, por maioria ser, e representa a cooperação das inteligências inferiores.
Nas Democracias, porque o Número é a ultima ratio, acontece que a direcção da sua vida e a solução dos seus problemas cabem ao Anonimato, à Irresponsabilidade, porque o Número, por definição é anónimo, e, portanto, é irresponsável.
Exemplos de todos os dias, para não dizer de todas as horas, mostram os inconvenientes da Democracia, e, consequentemente, deste critério. As massas, ou por outra palavra, a inteligência mediana em que são absorvidas as inteligências individuais, nem é capaz de reflexão, nem é competente para estudar e prever. As massas são instintivas, caprichosas, flutuantes, inconsequentes, à mercê dum nada que surge, não se sabe donde, e as conduz e domina. A sua obra é fatalmente deficiente, inferior.
Não há objecção possível a estas observações e toda a gente as entende. Não há nada mais precário do que o Número como critério da verdade. E quando outras razões não houvesse, havia esta que é fundamental, essencial: é que as unidades não são homogéneas, e nos votos industriais entram factores das mais variadas origens e categorias. A decisão final, é no fundo uma mixórdia.»
«...De resto, basta que o leitor faça esta pequena observação: se o número é o critério da verdade, a verdade não existe, porque o número desloca-se muito facilmente dum prato da balança para o outro. E se o cálculo, hoje, dá um determinado resultado, nada garante que amanhã, feito noutras circunstâncias, não conduza a resultados opostos. Mas se a verdade não existe, como consequência de o seu critério estar no Número, e se este é a base doutrinária da Democracia — a Democracia é um mito, uma mentira, como tantas vezes tenho afirmado. Pelo que concluo que, por um lado, pelo meu, ou por outro, a Democracia é insustentável!»
Alfredo Pimenta
(«A Democracia e o Número», in «A Voz», n.º 797, pág. 3, 28.04.1929)

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Direitos e Deveres 

«...Em relação à crise de Democracia, o sr. Cambó começa por dizer que o regime parlamentar não é no fundo mais do que uma modalidade, um sistema para que o governo do povo pelo povo seja uma realidade. O sr. Cambó ainda vai aqui. Mas eu perdoo-lhe o abuso, pelo que afirma a seguir: que na maior parte dos países que o tinham instaurado, só funcionava, não funcionando, isto é, falseando todo o processo, desde as eleições até ao exercício das funções fiscalizadoras e legislativas do Parlamento. Tenho ensinado sempre que o Parlamento é tanto melhor, tanto mais aceitável, quanto mais falsear a sua doutrina.
Eu não aludo à crise do Parlamentarismo, quero significar a sua impotência para servir a Nação; não quero, com as minhas palavras, dizer que ele estava sendo adulterado. Antes pelo contrário. O Parlamentarismo puro, livre de qualquer mancha de falsificação, é o regime do «ninguém se entende». Esse governo do povo pelo povo, enquanto é mentira ainda passa; mas se querem dar foros de verdade a essa inépcia, é o caos!
«Nas propagandas democráticas, diz o sr. Cambó, tem-se falado sempre nos direitos que o regime de democracia dá aos cidadãos; mas fala-se muito pouco nos deveres que lhes impõe.»
O sr. Cambó não é o pai da Democracia, nem é o seu doutrinário. A Democracia é o que a revolução estabeleceu. Ora esta não formulou os Deveres do Cidadão: formulou sim os seus direitos. Deveres tinha-os o cidadão há muito estabelecidos, desde que veio a este mundo. A Democracia falando em deveres não dava novidades nenhumas. Precisamente a sua justificação está na novidade que trouxe: a dos direitos. A Democracia é a rebelião, é a indisciplina, é o contrário dos deveres. Os democratas que falam em deveres são, se são sinceros, democratas fingidos. O que constitui a estrutura da Democracia é precisamente a preocupação dos direitos, fonte de toda a anarquia e de toda a dissolução social. Diz-se o sr. Cambó que Napoleão pôde dar o golpe de Brumário, porque o povo francês tinha perdido já o hábito das funções mais essenciais duma Democracia. Esta é boa! Então o povo francês guilhotinou, afogou, fuzilou, apunhalou, roubou como quis e quem quis, durante anos e anos — e estava desabituado das funções da Democracia?! Pelo visto — estava habituadíssimo a elas, durante o antigo regime, e foi por isso que em 1789 fez a Revolução!»
Alfredo Pimenta
(In O Livro do Sr. Cambó, in «A Voz», n.º 1004, pág. 3, 23.11.1929)

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terça-feira, setembro 06, 2005

DEMOCRACIA 

«Os chamados governos democráticos têm a sua origem na vontade nacional. Mas o que é a vontade nacional? Como é ela formulada? Quem a exterioriza? Que duração têm as suas expressões? Qual o grau de legitimidade da sua orientação? Até onde vão os seus poderes? Cada uma destas perguntas, se quiséssemos aprofundá-las e desenvolvê-las, dar-nos-ia matéria para um volume.
Deixemos esses aspectos, aliás fundamentais, e concedamos que as coisas se passam como os seus teóricos proclamam.
A vontade nacional exprime-a o Parlamento? Mas o que é o Parlamento? É a reunião dos eleitos da vontade nacional. Dos eleitos? Quem é escolhido? Dentro, sempre, da teoria, quem escolhe é a massa eleitoral. E esta elege os que representam a sua opinião. A massa eleitoral? Quer dizer o Anonimato, a Irresponsabilidade, o Número. Mas o Número tem opinião? O Anonimato tem opinião? Tem opinião a Irresponsabilidade? A verdade não é uma função aritmética.
Cem imbecis não têm mais razão, por serem cem, do que um homem de génio, por ser só um. Logo, o fundamento dos Governos de opinião é precário, é falso, repoisa num sofisma. Depois entre a massa eleitoral e os seus representantes, há ligação permanente? Não há. No dia seguinte ao da eleição, a massa eleitoral pode ter, sobre os problemas da administração pública, uma opinião diversa ou oposta à que tinha na véspera. Mas há mais. No dia da eleição, a massa eleitoral é uma. No dia seguinte, é fundamentalmente diversa, porque uma camada grande de cidadãos atinge a capacidade eleitoral, enquanto outra camada a perde, pela morte, pelo menos. De sorte que, quando os representantes do corpo eleitoral que exerceu a sua função de voto, no momento A, se reúnem, já o corpo eleitoral é constituído por novos elementos.
Tudo isto demonstra o artifício dos governos chamados de opinião. O seu sistema teórico é uma ficção que não tem bases seguras em que se apoie.
De facto, na realidade das coisas, afastados todos os sofismas e todas as ilusões, e todos os preconceitos — que fica? Fica o exercício da função governativa dependente, directamente dependente de um grupo, de uma facção, de um punhado de homens — o qual, já por si, obedece, ou a um chefe, ou a um directório, ou a um comité. Quer dizer: por detrás da fachada do Parlamento, e da Soberania Nacional, e da Vontade da Nação, está, ou um indivíduo ou um grupo de indivíduos. É a Ditadura.»
Alfredo Pimenta
(In Várias Formas de Ditadura, in «A Voz», n.º 59, pág. 6, 02.04.1927).

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MONARQUIA 

«...Quando preconizo, pois, o restabelecimento da Monarquia tradicional, e o encerramento do ciclo republicano, quer dizer, o restabelecimento do sistema de governo que nos une e congrega, sob a direcção do Rei, que o é, pelo imperativo da História e do instinto nacional, e o encerramento do sistema que nos desune, e nos atira uns contra os outros, por força do seu princípio substancial — a maioria manda, senhora absoluta, e a minoria obedece, escrava algemada - quando, repito, preconizo o restabelecimento da Monarquia e a eliminação da República, faço-o, não contra este ou aquele, ou a favor deste ou daquele, mas unicamente tendo em vista o interesse da Nação, e procurando garantir o futuro.
E porque, como mais duma vez o tenho afirmado, não são propriamente os homens que me preocupam, mas sim os sistemas — a Monarquia que preconizo, e que é a única viável e digna, visa, não as situações pessoais de A ou B, mas a Nação inteira, na sua paz interna e no seu prestígio externo.
Compreendo muito bem que as pessoas, ainda não libertas de paixões, ainda não identificadas com a seriedade que Salazar teima em imprimir aos assuntos da Política portuguesa, não vejam na Monarquia ou na República outra coisa que não seja a sua substituição ou a sua permanência nos lugares públicos ou particulares em que estão colocados. É humano. E eu lido com homens, e falo para homens. Mas seria um crime repetir-se 1834 ou 1910!
Não. A Monarquia que preconizo; aquela porque me bato; aquela que defendo e desejo; a que está no meu espírito e nas minhas intenções; aquela que aponto à Nação, como necessária, indispensável e urgente, não virá perturbar a vida de cada um. Quem está está, e deixa-se estar. É para todos que ela se faz. Não é bodo que se distribui ou roda da lotaria que se põe a girar: é muito simplesmente o sistema de governo português, tradicional, com sete séculos de existência contínua.
Quem está está, e deixa-se estar.
A Monarquia faz-se, para continuar e assegurar uma obra governativa — a obra de Salazar, no plano espiritual e no plano temporal, e nunca para apertar o cinto de uns, e alargar o cinto de outros. A Monarquia é superior aos interesses presentes de quem quer que seja, porque não tem clientelas a sustentar, votos a pagar, defensores a manter.
Quem está está, e deixa-se estar.
À Monarquia não interessa a situação pessoal dos que estão, nem as ambições dos que também querem estar — porque não é um Partido, nem quer ser um Partido, nem pode ser um Partido, sob pena de se abastardar, e falsificar, e negar a si própria.
A Monarquia constitucional foi um Partido; a República é um Partido. A Monarquia é o Estado integrado na Nação — porque cumpre não esquecer que foi a Monarquia que fez Portugal.
Antes de 1834, a Monarquia não era Monarquia deste ou Monarquia daquele; Monarquia assim ou Monarquia assado; era Monarquia.
Em 1834, passou a ser, em vez de Monarquia — a Monarquia liberal ou Monarquia constitucional — logo, partidária.
Em 1910, estabeleceu-se a República — que é a consagração solene do Partidarismo ou da Desunião nacional.
A Monarquia, que o interesse nacional reclama imperativamente e urgentemente, é a Monarquia que continua, em evolução normal, a Monarquia tradicional que vem desde o século XII até ao alvorecer do século XIX: católica, anti-parlamentar, anti-liberal, anti-revolucionária.
Só conhecerá e reconhecerá portugueses. E assim — quem está está, e deixa-se estar.
A Monarquia é um sistema de governo: nem é tcheka expiatória, nem asilo de entrevados, ou caldo conventual. Saibam-no todos, para que não haja decepções.
De resto, nem mesmo haveria explicação para que as coisas fossem outras: somos tão poucos, os que estamos a sustentar a ideia monárquica e a afirmar a sua legitimidade e necessidade, que facilmente nos sumiremos amanhã, por pudor e nobreza, e a Monarquia não terá ninguém, legitimamente, a alegar serviços...
Como se vê, o que nos inspira a nós outros que combatemos pelo Rei, não é o desejo de malfazer a este, para satisfazer aquele: o que nos inspira é a vontade inflexível de garantir o futuro, de assegurar ao realizado continuidade e desenvolvimento e de concluir o que tão auspiciosamente se começou; o que nos inspira é o propósito formal de obstar a que se regresse ao século de anarquia dissolvente e desnacionalizadora que vem de 1820 a 1926, e de concorrer para que se encerre de vez o ciclo liberal e anti-português que se abriu na primeira das duas datas.
Quanto às pessoas, mais vítimas dos sistemas do que autores dos desregramentos, essas ficarão onde se encontrarem, porque não é para as remover que a Monarquia se faz.
Os interesses criados, as situações actuais de cada um nada têm com a Monarquia que não vem para fazer queixosos, nem para provocar louvores de lacaios fortes.
Ela vem para servir, no plano alto do Interesse nacional, o Passado e o Futuro da Nação.»
Alfredo Pimenta
(In Palavras Claras, «A Voz», n.º 5333, pág. 5, 08.01.1942)

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Braga Nacional 

Conforme se verifica no "Jornal de Notícias", o blogue "Braga Nacional" está mesmo a dar que falar.
Eis um exemplo do que um simples blogue pode fazer, e uma lição para todos: para os responsáveis do Braga Nacional é um estímulo para continuar, e com mais força (estão mesmo a incomodar!); para os múltiplos núcleos nacionalistas ou aos nacionalistas isolados que ainda não têm blogue, é um estímulo para que se lancem quanto antes nesse meio de intervenção na vida social das suas terras e do seu país.
É só afinar a pontaria, mobilizar a capacidade de trabalho, e atirar-se de cabeça ao combate das ideias, à batalha diária pela conquista da opinião pública e pelo despertar do nosso povo.
Seja para divulgar a boa doutrina, publicando excertos e passagens escolhidas representativas do melhor pensamento e da cultura nacionais, seja para intervir na actualidade criticando e comentando a realidade nossa de todos os dias, um blogue é uma arma poderosissima nas mãos de quem tenha capacidade para retirar dele todas as suas potencialidades.

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segunda-feira, setembro 05, 2005

REPÚBLICA / DEMOCRACIA 

As instituições republicanas, mesmo as que estão dentro da muito velha fórmula — a República é tanto mais perfeita quanto mais se aproxima da Monarquia — as instituições republicanas são sempre más, porque implicitam o germe destruidor da paz pública e do bem dos povos, os partidos políticos. República sem partidos é um artifício ou uma mentira. Quem diz República diz Eleição. Quem diz Eleição diz Partidos. Logo, quem diz República diz Partidos. E Partidos significam guerra civil. Logo, República e guerra são sinónimos.
(In Doutrina, «A Voz», n.º 5434, págs. 1/2, 22.04.1942)

«... Dêem-lhe as voltas que quiserem; cubram-na com o manto que entenderem; escondam-na sob as máscaras que lhes apetecer; mergulhem-na em pias de água benta, ou lambuzem-na de excrescências de esgotos — a Democracia foi a praga que caiu sobre o mundo trazida no coração do Anti-Cristo, e é a lepra que está a corroer o mundo.
Oiço falar muitas vezes, com susto e arrepio, no Totalitarismo, em regimes totalitários, a pessoas a quem não repugna a Democracia.
Santo Deus! Mas onde está, onde se esconde, onde vive, Totalitarismo mais completo do que a Democracia?
A Lei é igual para todos? Totalitarismo.
Sufrágio universal? Totalitarismo.
Instrução universal obrigatória? Totalitarismo.
Toda a nação em armas? Totalitarismo.
O Governo do Povo pelo Povo? Totalitarismo.
Liberdade de consciência? Totalitarismo.
Direitos do Homem? Totalitarismo.
Paz universal? Totalitarismo.
Igualdade? Totalitarismo.
Que há de mais totalitário que a Democracia?»
(In As Lições dos Factos, in «A Voz», n.º 5180, págs. 1, 04.08.1941)

Alfredo Pimenta

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MONARQUIA/REPÚBLICA 

Ora se compararmos a Monarquia com a República, vemos que as características da primeira são precisamente — a estabilidade, a continuidade e a homogeneidade; que as características da República são precisamente a variedade, a ziguezagueidade e a mestiçagem.
A Monarquia é estável. Além da pessoa do Rei, de maior ou menor duração, segundo os desígnios da Providência, há a Dinastia, a Família que constitui a verdadeira essência da Realeza.
É certo que a pessoa do Rei detém o Poder e o exerce, mas, muito mais do que a pessoa do Rei, o detém e exerce a linhagem a que pertence, e que está sempre presente no seu espírito, quer no donde vem, quer no para onde vai.
O Rei é o elo duma cadeia: dirigem-no os Antepassados, pelo que foram, e os vindouros do seu sangue, pelo que deverão ser.
A Realeza hereditária é o tipo da Estabilidade do Poder.
A Monarquia é contínua.
O interesse nacional confunde-se com o interesse da dinastia.
A Realeza tudo o que faz é para durar, e na fé de que durará. Repugnam-lhe as improvisações caprichosas porque, solidária com o Passado, e responsável para com o futuro, tem a preocupação permanente de que a sua obra seja sempre a continuação do que já está feito e o desenvolvimento do que está realizado. Ninguém melhor do que ela compreende e executa o grande preceito positivista de que o Progresso não é mais do que o desenvolvimento da Ordem. É esse carácter que lhe permite adaptar-se, sem se renegar, a transformações dos conceitos sociais e dos costumes políticos.
O Império alemão de Guilherme I era, no consenso insuspeito de todos, o Estado mais avançado da Europa nas Reformas sociais.
A Monarquia é homogénea.
Na Monarquia, há um só soberano: o Rei. Acima dele, Deus. O Rei reconhece Deus como a fonte única do Poder que exerce. É pela graça de Deus que governa. Abaixo dele, as leis que ele próprio cria, e a que se sujeita, uma vez promulgadas. Não há comparticipação no Poder Real. Responsável perante Deus só a Deus dá contas do modo como desempenha as suas funções. Portanto, uno e simples.
Em contrapartida, a República é por definição, instável, descontínua e heterogénea.
A República é instável.
Tem como fonte do seu Poder, o Sufrágio universal, isto é, a vontade quimérica da multidão eleitoral. Ele varia a toda a hora, segundo a sugestão que sobre ela exercem os seus condutores que são dirigidos pelas suas paixões pessoais, pelos seus mitos ideológicos, pelos seus interesses egoístas.
O Sufrágio universal é a generalidade dos Partidos: múltiplas as opiniões, múltiplos os Partidos — todos candidatos ao Poder, cada um deles sozinho se tem força para tanto, ou aliados uns aos outros, segundo as circunstâncias. Daí, a necessidade de permanente mutação ministerial. Governos a prazos curtos; chefes de Estado a prazo.
Em Portugal — desde 1920 a 1926, em dezasseis anos, período da República pura, ortodoxa, oito Presidentes da República. Ou seja: em média, dois por ano. Governos? Não têm conta.
Desde 1926 a 1942, outro período de dezasseis anos, um Presidente da República.
Para se chegar a isto, houve que falsificar a República, eliminando as suas características. E o Presidente do Conselho disse em público: «Felizes os povos que não têm que escolher!»
Traduza-se: «felizes os Povos que não elegem!»
Traduza-se ainda: «felizes os Povos que não são Repúblicas!»
A República é descontínua.
Baseada no Sufrágio universal, a República vive dos votos da multidão fraccionada em partidos. Para alcançar os votos, há que conquistá-los. Só se conquistam, satisfazendo os apetites dos eleitores ou dos seus meneurs. Logo, cada um dos cabecilhas, para ver engrossar as suas hostes, promete tudo, e sempre mais do que o vizinho. É o regime do «tudo é mau menos o que eu faço». Cada partido que chega ao Poder só tem uma ideia: desfazer o que o antecessor gizara. Se mantivesse a obra do antecessor, como havia de justificar a sua ascensão ao poder? A República é o regime das obras projectadas — aos milhares, poucas começadas, e raríssimas as levadas até final.
Em cada ano, milhares de Reformas, Decretos, Regulamentos: tudo inútil.
A República é heterogénea.
Representa dezenas de partidos antagónicos, que se insultam, desacreditam e enxovalham. Todos eles, ou dentro do Governo ou fora do Governo, actuam no Poder, ou pelo que fazem, ou pelo que impedem que se faça. Teoricamente, a República é a expressão da vontade nacional. Ora nada há de tão heterogéneo e mestiço, como a multidão. Mesmo que a República fosse apenas o Governo da maioria, está só artificialmente, metafisicamente se pode dizer uniforme. Não há partido que não tenha a sua direita e a sua esquerda.»
Alfredo Pimenta
(In Questões de Doutrina, «A Voz», n.º 5642, pág. 6, 21.05.1942)

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PARLAMENTARISMO - DEMOCRACIA - SUFRÁGIO UNIVERSAL 

«...O Parlamentarismo, o chamado regime constitucional, ou se presta, melhor ou pior, ao governo da Nação, e é uma burla autêntica, ou é sincero, correcto, honesto, puro, e torna impossível a organização e a acção dum governo. Ou é uma mentira, a falsificação do seu próprio espírito, ou é a verdade, mas, neste caso, o obstáculo insuperável da nação. Ou quando se abrem as urnas já estão feitos os representantes da nação — e é a burla; ou se deixam falar as urnas livremente, honradamente, e é o caos. Pelo menos assim tem sido, e nada leva a supôr, pelos exemplos actuais, que assim não continue a ser e cada vez mais agravado.
...O regime parlamentarista, ninguém sabe como é, tantos os disfarces, tantas as mentiras que o compõem. Proclama a soberania da Nação, e transforma a liberdade, e exerce, em nome dela, as mais torvas tiranias, não já só contra os indivíduos, mas contra a Nação inteira. Protesta contra a irresponsabilidade régia, a irresponsabilidade dum, e leva-nos para o regime da irresponsabilidade de todos, Proclama a forma superior do governo, e só consegue realizar todas as condições de fraqueza, de esterilidade, de inactividade dos governos. Há um século que o regime constitucional, liberal, democrático se instalou no continente. Nem uma só das nações que o adoptaram se prestigiou politicamente, se engrandeceu politicamente. Nem uma.
...O regime parlamentarista tem que desaparecer, porque os partidos políticos não têm função a desempenhar. As nações que persistirem em manter a ficção parlamentarista democrática, já sabem o que as espera: a desorganização de todos os seus alicerces, e a morte na agitação indominável.»
(In Para as Bandas da Bélgica, «A Época», n.º 2079, pág. 1, 11.05.1925)

«...Não tenho dúvidas sobre o futuro. As coisas continuarão como até aqui — porque o Estado suga até ao tutano o contribuinte, para manter o exército infindável duma Burocracia desnecessária. Só uma reforma integral da nossa vida política, não só na constituição do Estado mas no sistema da vida, poderá dar bons frutos.
Os regimes dos partidos políticos têm que alimentar as clientelas que os apoiam. Um Estado só pode entrar pelo caminho são e duradouras economias, quando estiver livre das exigências das clientelas. Nunca poderá atingir essa situação um Estado democrático, porque um Estado democrático é, por definição o Estado das clientelas.»
(In Coisas de Ensino, in «A Época», n.º 2401, pág. 1, 19.04.1926)

«...O Sufrágio universal é condenável porque, por definição, é uma mentira.
Não há eleições honradas; não há eleições perfeitas; não há eleições que traduzam a realidade das coisas. O Sufrágio é a autoridade do Número, é o Despotismo da Quantidade e o Governo da Massa contra a élite, da base da Pirâmide contra o vértice. O Sufrágio é o governo dos soldados contra o general em chefe, dos Católicos contra o Papa. O Sufrágio é a inversão da Ordem.
«...Ora precisamente o Sufrágio é a autoridade atribuída ao Número.»
(In A Liga Liberal, «A Época», n.º 2536, pág. 1, 04.09.1926)

Alfredo Pimenta

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PARLAMENTARISMO — REPÚBLICA - MONARQUIA 

«...O regime parlamentar traz os países em que se introduz, perfeitamente aos trambolhões, de desgraça em desgraça, de miséria em miséria, de chantage em chantage. Conspícuos filósofos proclamam, às vezes, que Portugal não se podia furtar à influência do regime parlamentar instalado na Europa pela Revolução francesa, e consolidado, na mesma Europa, por Napoleão, o autêntico servidor dos princípios revolucionários. É uma ilusão e um erro. Se esses pedantes obtusos de 1820 não tivessem tido a má sina de enxertar numa aspiração nacional, a da libertação de Beresford, a aspiração oculta das lojas maçónicas e do filosofismo revolucionário, a Nação portuguesa que nunca fora nação de escravos, nem tivera Reis tiranos, bem podia ter continuado a sua vida tranquila de Nação trabalhadora e crente. Mas, admitindo mesmo que Portugal não podia ser alheio à varíola revolucionária, não vejo motivos para que tenhamos de aceitar a situação que essa varíola nos criou, e antes não reajamos formalmente contra ela. Pela minha parte, porque sei o que lhe devo, em dúvidas e preconceitos da inteligência, pela minha parte farei tudo quanto em minhas forças estiver para que dessa varíola maldita não fiquem vestígios e em vez de propor transações e abdicações, proponho muito claramente a guerra definitiva e sem tréguas, a tal moléstia.»
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«...Regime de opinião, quantas mais opiniões houver, mais anarquia. Os regimes de opinião são o descalabro dos países. Num regime de opinião, todas as opiniões são legítimas. E como cada opinião vale pelo número dos seus partidários, os regimes de opinião vivem constantemente sob a luta da conquista que cada opinião faz dos partidários. Esta luta transforma-se a breve trecho num hábito que modifica a sensibilidade, o carácter, a mentalidade e a vida da Nação. Entra-se no regime da guerra civil sistemática.
A Nação, de una, passa a ser um aglomerado de rivalidades, de ambições de mando, e utopias perigosas, de invejas e de mentiras. É o que a Nação portuguesa, desgraçadamente, é hoje. É raro o português que a politiquice mesquinha não empolga. O abandono da vida provincial, esta queda brusca sobre Lisboa, este congestionamento da vida da capital, este exército infindável de burocratas — toda esta miséria a que assistimos é o resultado lógico do regime de opinião, do regime parlamentar, do regime democrático, do regime liberal, do regime que a Revolução francesa gerou, e os pedantes obtusos de 1820 introduziram entre nós, e a Carta Constitucional sancionou. A fórmula é esta: Revolução francesa — 1820 — Monarquia Constitucional — República.»
(n Coisas da Política, «A Época», n.º 2437, 15.03.1926, pág. 1)
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«...a consequência lógica dos regimes democráticos, dos regimes de opinião é a complicação, a barafunda, o ninguém se entende, o sarilho, o caos.»
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«... Dentro da república, não há a fazer nada. Tudo quanto se tentar fazer dentro da república, é gastar, inutilmente, energias, desperdiçar, inutilmente, esforços, correr, inutilmente, riscos gravíssimos, e agravar, inutilmente, a desordem nacional. Todo aquele que fizer sair um soldado do seu ofício para, dentro da república, tentar modificar a situação, é um criminoso, porque dentro da república não há, não pode haver, não haverá jamais salvação possível. Ela é o próprio mal: tudo o mais são manifestações secundárias, consequências fatais. Só fora da República, a Nação deve e pode procurar a solução para a crise profunda em que se debate, e da qual este beco sem saída da actual situação republicana é um simples episódio minúsculo, apesar do muito que se tem dito e escrito a seu respeito. Só fora da república, e dentro da Monarquia, a Nação se salvará. Parece isto uma afirmação banal, mas não o é tanto que não haja ainda espíritos cegos ou pervertidos que o não vêem.»
(n Num Beco Sem Saída, «A Época», n.º 2435, pág. 1, 25.05.1926)
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«...Entre servir a República, uma ficção, e servir o Rei, uma Pessoa, há uma grande diferença, tão grande que não é preciso gastar tempo a demonstrá-la. Se amanhã o Exército destruísse a República, o Exército não era traidor a ninguém, porque a República é uma fórmula. Mas o Rei não é uma fórmula, nem mesmo o Rei constitucional, transformado em chancela: o Rei é herdeiro da Dinastia criadora da Nação.
Atingi-lo a Ele é atingir a Nação no que esta tem de mais nobre e de mais belo: o seu Passado contínuo.»
(In O Mestre de Obras, in «A Época», n.º 2624, 01.12.1926, pág. 5)

ALFREDO PIMENTA

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