<$BlogRSDURL$>

sexta-feira, outubro 14, 2005

A propósito de Maurice Bardèche 

Surpreendeu-nos hoje o Batalha Final publicando um texto do grande escritor francês Maurice Bardèche, gentilmente endereçado ao autor deste incompreendido blogue.
Agradece-se muito a lembrança, sobretudo pelo gesto mas também por não conhecermos o artigo em causa, que apreciamos devidamente.
Como sabem os três ou quatro que seguem este blogue desde o seu aparecimento, Maurice Bardèche é um autor e uma personalidade muito estimadas cá na casa, e que se procurou divulgar desde o princípio.
Como exemplo, recorde-se que ficou aqui publicado o famoso "Inquérito sobre o fascismo" (primeira parte, segunda parte, terceira parte).
Para além do prestigiado director da "Défense de l'Occident", revista que fundou em 1952 e manteve até 1982, também aqui tem sido dado destaque ao seu famoso cunhado e companheiro de caminho, Robert Brasillach, e não há muito tempo não passou esquecido o falecimento de Suzanne Bardèche, sua esposa.
Estamos portanto como peixe na água. Acrescentamos hoje, motivados pelo destaque do Batalha Final, que o Camisanegra recolheu directamente as orientações de Bardèche, in illo tempore, em Lisboa, quando ele por cá andou. Não pode por isso deixar de sorrir ao deparar com leituras extravagantes do pensamento do velho mestre; ao lembrar a sua personalidade calma e afectuosa, que juntava a gentileza e o bom humor à firmeza das convicções e à tranquilidade da postura, acorre à memória de imediato a sua estranheza e a sua aversão perante o folclorismo balofo, o exibicionismo vazio de ideias, o fetichismo infantil (quer por fardas, hinos ou bandeiras como por pins, crachats, tatuagens e demais parafernália das tribos urbanas ou suburbanas) que tanto prejudicaram as tentativas políticas da Direita pensante na Europa em todo o período que se segue à Segunda Guerra Mundial e que se prolonga até aos nossos dias.
Não, Bardèche nunca apreciou nem apreciaria reducionismos e primarismos, nem nunca foi complacente com isso.
Vem-nos à memória certa ocasião na Rua Sampaio e Pina, em que o velho Bardèche, após ter ouvido com bonomia e paciência alguma rapaziada cuja actividade cerebral estava ao nível hormonal, perfeitamente identificável com impulsos e reacções dos instintos ou das tripas, observava com ironia e malícia: - "mas estes rapazes não gostam de política?!!"
Quem entendeu riu-se, e os visados não perceberam, como era de esperar.
Alguns dos conselhos de Bardèche ficaram então arquivados em entrevista ao semanário "A Rua", para além dos arquivos da memória de quem teve a possibilidade de com ele discutir pessoalmente as linhas com que se devia coser o nacionalismo, em Portugal e na Europa.

2 Comentários
Comments:
«Surpreendeu-nos hoje o Batalha Final publicando um texto do grande escritor francês Maurice Bardèche, gentilmente endereçado ao autor deste incompreendido blogue.»

Não é nada incompreendido, começo a pensar que lhe agrada essa ideia...além do mais eu compreendo-o bem, ou pelo menos tenho essa presunção.Se bem que presunção e água benta...:)

«Agradece-se muito a lembrança, sobretudo pelo gesto mas também por não conhecermos o artigo em causa, que apreciamos devidamente.»

Ora essa, o prazer foi meu, vejo-o para aqui sozinho a fazer dedicatórias e ninguém se lembra de si, e depois da sua pequena crise existencial pensei:"Que diabo( benzo-me!), o Camisanegra gosta tanto do velho Maurice, e convenhamos, bem merece uma lembrança..."

«Como sabem os três ou quatro que seguem este blogue desde o seu aparecimento, Maurice Bardèche é um autor e uma personalidade muito estimadas cá na casa, e que se procurou divulgar desde o princípio.»

Confirmo!E por isso mesmo achei apropriado o texto.

«Estamos portanto como peixe na água. Acrescentamos hoje, motivados pelo destaque do Batalha Final, que o Camisanegra recolheu directamente as orientações de Bardèche, in illo tempore, em Lisboa, quando ele por cá andou»

Bem sei, bem sei...

« Não pode por isso deixar de sorrir ao deparar com leituras extravagantes do pensamento do velho mestre»

Acredito, mas atenção que não fiz qualquer leitura do pensamento de Bardèche, limitei-me, na minha imensa boa-fé, a dedicar-lhe a si um texto escrito por um dos autores que mais aprecia.

Já agora a título de curiosidade o artigo é de 1984.

«acorre à memória de imediato a sua estranheza e a sua aversão perante o folclorismo balofo, o exibicionismo vazio de ideias, o fetichismo infantil (quer por fardas, hinos ou bandeiras como por pins, crachats, tatuagens e demais parafernália das tribos urbanas ou suburbanas) que tanto prejudicaram as tentativas políticas da Direita pensante na Europa em todo o período que se segue à Segunda Guerra Mundial e que se prolonga até aos nossos dias.»

Essa aversão também eu partilho, eu e muitos outros;por acaso conhece um texto muito célebre do Mabire sobre o assunto? Demasiado corrosivo mas talvez merecedor de publicação próxima...Quiçá com dedicatória conjunta ao Camisa Negra e ao Bardèche :)

«Vem-nos à memória certa ocasião na Rua Sampaio e Pina, em que o velho Bardèche, após ter ouvido com bonomia e paciência alguma rapaziada cuja actividade cerebral estava ao nível hormonal, perfeitamente identificável com impulsos e reacções dos instintos ou das tripas, observava com ironia e malícia: - "mas estes rapazes não gostam de política?!!"»

É por isso que no contacto pessoal eu sou muito calmo, ou pouco expansivo, como não sou perspicaz evito passar por burro :)

Saudações amigas.
 
Que privilégio, caro Camisanegra! Não pode esquivar-se a deixar aqui mais umas memórias desses encontros com Bardèche, se calhar focando menos o nacionalismo em si e mais o caso português (se é que foi abordado).
Fica a sugestão.
 
Enviar um comentário
Divulgue o seu blog! Blog search directory

This page is powered by Blogger. Isn't yours?